[forum-prof] RES: Não temos a cultura do planejamento a médio e longo prazos.

Carlos Vainer cvainer at uol.com.br
Sun Aug 23 10:26:06 BRT 2009


Prezado Abraham

 

 

Com calma e abertura para o debate podemos descobrir que muito do que
aparece como divergência não é fruto senão de mal-entendidos. O que,
certamente, não quer dizer que todos concordamos com tudo, o que seria, cá
entre nós, de uma monotonia insuportável.

 

Vou apenas esclarecer mais alguns pontos que ainda parecem pouco claros.

 

1)       Você diz

 

Não entendo a proposta do Plano Diretor por Decanias para 2010 visando
substituir a administração corrente do dia-a-dia.  

 

É para gerar apenas um planejamento envolvente a médio e a curto prazo. 

 

Eu não disse que temos a proposta de que haja um Plano Diretor por Decania
para 2010. O que eu disse é que todas as unidades, centros e instâncias da
Administração Central foram consultados acerca de seus planos de médio e
longo prazos – nos horizontes 2012, 2016 e 2020. Isto foi, de certa maneira,
um convite, uma indução, a que todos, de algum modo, se consagrassem a
pensar também de forma planejada, no médio e longo prazos. Se vão ou não
fazer um Plano Diretor, ou um Plano de Desenvolvimento
Institucional-Acadêmico, é uma decisão que cabe a cada Conselho de Centro. 

 

Sabemos que, para responder ao formulário do Comitê Técnico do Plano
Direotor, nem todas as unidades desenvolveram discussões aprofundadas,
Sabemos que há grande disparidade entre as unidades: algumas têm um plano de
desenvolvimento institucional consistente, discutido e aprovado
institucionalmente, enquanto outras nunca pararam para discutir o assunto.
Sabemos que, portanto, as informações recebidas não necessariamente são
todas, igualmente, consistentes. O meu Instituto (IPPUR), desde 2004,
aprovou um Plano de Desenvolvimento Institucional-Acadêmico com horizonte de
10 anos, e vem seguindo e atualizando este Plano. Mas talvez isso não seja
bom para todos. Cada unidade, cada centro deve encontrar os meios mais
adequados para programar e planejar suas atividade – e não apenas no curto
prazo.

 

Mas dei esta informação apenas para eliminar a impressão, de muitos, de que
o Plano Diretor UFRJ 2020 e suas projeções de crescimento são uma mera
invenção dos “dirigentes” ou do Comitê Técnico do Plano Diretor. Ao
contrário, estão fundadas nos estudos e projeções que fizemos, mas também
nas informações colhidas em todas as isntâncias universitárias.

 

2)       Como disse em outras oportunidades, há diferenças de escala quando
se passa do planejamento da UFRJ ao planejamento de uma unidade ou
departamento. O planejamento da UFRJ não é, não pode ser, uma simples
colagem, ou soma, dos planos dos vários e diferenciados segmentos da
universidade. Ele tem que considerar estes planos singulares de cada
instância, mas os ultrapassa, porque, como sabemos, o todo, neste caso, não
é a mera soma das partes.

 

3)       Evidentemente, nos marcos do plano geral, cada unidade é autônoma
para definir seus caminhos. (As Diretrizes aprovadas pelo Consuni reconhecem
plenamente esta autonomia, inclusive no que diz respeito à decisão, para
aquelas que ainda se encontram na Praia Vermelha ou isoladas, de se
transferirem ou não para a Cidade Universitária.)  E aqui entra a questão
decisiva em nossa universidade: como combinar a autonomia da universidade
com a autonomia de cada unidade, departamento e, também, de cada
professor/pesquisador – e, neste último caso, refiro-me a um princípio que
considero essencial, que é o da liberdade de cátedra?  Como impedir que a
autonomia das instâncias “inferiores” não constitua um obstáculo
intransponível a que a Universidade se constitua, ela também, como unidade
autônoma, capaz de formular e implementar um plano universitário?

Este talvez seja o principal problema enfrentado pela UFRJ, e este problema
tem feito com que nossa universidade fique, por assim dizer, congelada,
incapaz de passos mais ambiciosos – enquanto outras universidades, como a
UFMG, a UFSC, a UFRGS avançam de maneira expressiva na afirmação de projetos
universitários de conjunto, constroem seus campi integrados e afirmam sua
unidade na diversidade ... enquanto entre nós, parece que apenas a
diversidade é reconhecida como legítima. 

            

4)       Nem todos acham que a graduação é menos nobre, ou secundária. Eu
sou professor titular e estou consagrado, no momento, a coordenar a
implantação de um novo Curso de Graduação – Gestão Pública para o
Desenvolvimento Econômico e Social. Há muitos e valorosos militantes da
graduação na UFRJ, e, acredito, nos últimos anos tem havido uma crescente
valorização deste nível de ensino e atividade acadêmica.

 

5)       Uma nota de nostalgia. Você escreve:

 

3º - Na Escola Nacional de Química até 1972, havia um alojamento para seus
alunos, uma gráfica e o ambiente da Praia Vermelha ou Av. Pasteur tornava as
coisas muito mais agradáveis.  A transferência para a Ilha do Fundão mudou
radicalmente nossos parâmetros de convivência.

 

Pois bem. Ingressei na universidade, na então Faculdade de Economia e
Administração da Universidade do Brasil, em 1967. Muitas vezes fui à Química
para rodar coisas no mimeógrafo da gráfica. Lá estava o Gilson, sempre
solicito, fazendo das tripas coração para rodar nossos panfletos. Por onde
andará?

 

            

Saudações universitárias

 

Carlos

 

 

 

 

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Prof. Carlos Vainer

IPPUR / UFRJ
Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Av. Pedro Calmon, 550 - Prédio da Reitoria, s. 533
Cidade Universitária 
21941-590   Rio de Janeiro   RJ
Brasil
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De: Abraham Zakon [mailto:azakon2 at globo.com] 
Enviada em: sábado, 22 de agosto de 2009 18:46
Para: 'Carlos Vainer'; FORUM-prof at listas.if.ufrj.br
Cc: ouvidoria at ufrj.br
Assunto: Não temos a cultura do planejamento a médio e longo prazos.

 

Boa noite, Carlos Vainer

 

Continuamos concordando ou convergindo em vários aspectos. 

 

Não entendo a proposta do Plano Diretor por Decanias para 2010 visando
substituir a administração corrente do dia-a-dia.  

 

É para gerar apenas um planejamento envolvente a médio e a curto prazo.  

 

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Mas, temos um obstáculo: a maioria dos doutores busca avidamente construir
em lugares “desocupados”, e apresenta projetos prontos para realizar a
“cultura do puxadinho”. 

 

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Isso está ocorrendo, por exemplo, em torno e acima do laboratório em que
conduzo trabalhos desde 1993. 

 

Tive o desprazer de assistir, por acaso, a pessoas do meu departamento e um
arquiteto da FUJB observando e avaliando o laboratório sob minha
responsabilidade sem que eu fosse convidado, estando dentro da Escola de
Química.

 

Fui lá, por acaso, e ao perceber as pessoas, convidei-as a entrar no
laboratório... 

 

Tive de ir à FUJB para saber o que tinham planejado, e, felizmente fui muito
bem recebido.

 

Depois descobri que o projeto tinha sido autorizado, inicialmente, pela
PR-3, com a previsão de arrancar o telhado do laboratório e rebaixá-lo,
prejudicando a intenção de construir um mezanino indispensável.

 

E fizeram duas reuniões para aprovar suas intenções originais: 

 

- a 1ª foi para aprovar a construção de metade de uma nova laje, enquanto eu
dava aula para meus alunos durante o período especial de 2008-3;

 

- a 2ª foi com intenções similares, creio que envolvendo já a metade da
outra laje, nas minhas férias trabalhistas! 

 

E a “democracia” que enfrento é a de ser derrotado em reuniões para aprovar
projetos criados à minha revelia e invasivos ao laboratório em que pretendo
realizar novas atividades, sem nenhuma diretriz coletiva, quanto mais um
plano diretor... 

 

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A “cultura do puxadinho” está tão entremeada nas idéias dos novos
professores que até mesmo disciplinas de pós-graduação, lecionadas há vários
anos por 2 professores titulares, estão sendo plagiadas e aprovadas!

 

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Até anteontem, eu pensava que era o único a sentir-se isolado, mas constatei
que três professores titulares estão insatisfeitos, porque falta respeito em
diversas áreas de convívio.

 

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O imediatismo que nos cerca gera a impressão de que toda discussão para
médio e longo prazo é meramente especulativa ou filosófica, mesmo que seja
uma visão injusta para o caso do Plano Diretor 2020.

 

Essa impressão predomina em meio às pressões do nosso cotidiano sempre
mutante e cada vez mais sujeito aos engarrafamentos de trânsito e outros
problemas de violência física e moral.

 

 

Sem dúvida, seus argumentos possuem fundamentos de quem conhece as questões
conjunturais. E são convincentes.

 

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“Todos” responderam ao formulário do Comitê Técnico do Plano Diretor, porém,
sinceramente, não me recordo de ter participado disso, ou que tenha sido
veiculado na Escola de Química. 

 

Ou seja, quando esse tipo de informação é solicitado, nem sempre todos
respondem por vários motivos. 

 

Um deles é que muitos chefes não dividem essas informações com seus
possíveis concorrentes...

 

Além disso, tive problemas particulares a enfrentar.

 

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Em geral, percebo que as prioridades acadêmicas hoje são: 

 

1ª – construir laboratórios de pesquisas (e consultorias); 

2ª – lecionar na pós-graduação; 

3ª – ensinar para a graduação 

 

Eu adotei a seqüência inversa nos últimos anos, porque renovei minhas aulas
e inovei nas minhas provas e acredito que o ensino de graduação é a
obrigação imediata da universidade. 

 

Essa priorização pessoal levou-me a redirecionar desde julho último o
laboratório de pesquisas para o ensino prioritário de graduação, (mesmo
tendo lecionado ali, durante anos, para várias turmas de graduandos). 

 

E pedi a mudança de nome para coincidir com uma das disciplinas obrigatórias
de graduação que leciono. 

 

Essa é uma nova diretriz para os trabalhos que conduzo.

 

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Existem dificuldades em se organizar reuniões devido a muitas aulas de
graduação e pós-graduação, orientação de alunos de estágios ou projeto final
de curso ou de pós-graduação, supervisão de estágios obrigatórios e... falta
de reposição de secretárias ou funcionários doentes.

 

Além disso, sempre ocorrem imprevistos ocasionais que impedem maiores
atenções para algumas demandas como a do formulário.

 

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Mas. posso garantir, como é do seu conhecimento e de alguns colegas, que
tenho idéias, por exemplo, sobre um plano diretor para a Escola de Química,
baseado em 35 anos de aulas em dois departamentos e mestrado num terceiro
(são quatro departamentos no conjunto). 

 

E tenho podido divulgar tais idéias, seja por convite do Diretório
Acadêmico, ou por iniciativa própria (como já pretendi divulgar e ainda
tenciono fazer junto ao Comitê Técnico). 

 

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Lembro que a Escola de Química fica bem no meio do Centro de Tecnologia,
desde o Bloco E até o I e fundos, passando pelo I-2000 e isso é muito
importante, porque várias instalações são laboratoriais químicas. 

 

Além disso, o Bloco I do Centro de Tecnologia assemelha-se ao edifício da
Aciaria da Companhia Siderúrgica Nacional, pelo seu gigantismo e pela
previsão aparente da existência de uma ponte rolante para trafegar em toda a
sua extensão longitudinal.

 

O que se observa é uma coleção de pequenos laboratórios contíguos e um
imenso volume desocupado...

 

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Em resumo: 

 

1º - não quero que o Plano Diretor 2020 da UFRJ resolva os nossos problemas
imediatos; mas proponho que seja imitado de imediato na escala das Decanias
e unidades!

 

2º - quero que essa cultura de responsabilidade coletiva seja permeada
dentro dos departamentos e das unidades como a Escola de Química – porque
tal não existe entre os novos doutores que foram contratados como adjuntos
sem iniciar suas carreiras como auxiliares de ensino! 

 

3º - Na Escola Nacional de Química até 1972, havia um alojamento para seus
alunos, uma gráfica e o ambiente da Praia Vermelha ou Av. Pasteur tornava as
coisas muito mais agradáveis.  A transferência para a Ilha do Fundão mudou
radicalmente nossos parâmetros de convivência.

 

4º - Agradeço seus novos esclarecimentos, e aplaudo a existência do Plano
Diretor, que, certamente, vai estender-se além das meras críticas ao que os
outros fizeram ou estão fazendo.

 

Abraham Zakon

 

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