[forum-prof] Sistema superior JÁ está ocioso (mais vaga que ingressante)
Gregorio Malajovich
gregorio at labma.ufrj.br
Mon Sep 24 10:25:42 BRT 2007
Vou pegar carona na mensagem do Marco Aurélio.
Ignorando a mortalidade dos alunos, as situações pessoais críticas
e levando em conta que o aluno que se transfere de curso por vestibular
da conta de evasão, proponho o seguinte modelo para a UFRJ:
Evasão = Número de vagas oferecidas - Número de alunos qualificados.
Se o Vestibular passar a reprovar os semi-analfabetos e os preguiçosos,
poderemos transformar boa parte da evasão em ociosidade. A ociosidade
pode ser compatida fechando ou fundindo cursos.
A iniciativa de um bom curso básico unificado se insere nesse, e somente
nesse contexto. Um curso básico incluindo alunos muito fracos teria como
efeito espantar os melhores alunos (que são os que tem chances de
concluir).
Ocorre o seguinte problema, que temos que enfrentar: para os dirigentes
da UFRJ, não valem números, análises, mercado de trabalho ou qualquer
racionalidade. Vale apenas ideologia e espírito de corpo.
O projeto de reforma apresentado pela reitoria é ideologia. Chega a
apresentar um plano de obras sem uma estimativa de custos nem proposta
concreta de como conseguir o dinheiro.
Já a reação que vamos ter da maioria dos docentes é puramente
corporativa. Aqueles que não se sentem prejudicados não vão se
indispor com o poder, aqueles que se consideram injustamente prejudicados
vão (naturalmente) bloquear o projeto.
Essa dicotomia leva a um falso debate. Precisamos é de projetos realistas
e sustentáveis, capazes de promover o crescimento da instituição, sejam
eles compatíveis ou não com as ideologias da moda. A checagem da realidade
pode se dar estudando o efeito do que foi feito em outros lugares do
mundo. Por exemplo, as universidades da França se esvaziaram ao liberar
a entrada de alunos de maneira indiscriminada.
Se em última instância a Universidade não tem competência para
formular políticas e projetos realistas, então a Reitoria tem que parar
de atrapalhar. Os departamentos, cursos de graduação e de pós-graduação
podem perfeitamente formular e cumprir projetos de longo prazo.
Gregorio Malajovich
On Fri, 21 Sep 2007, Marco Aurelio P. Cabral wrote:
> Caros,
>
> como contribuição a discussão, repasso para vcs artigo do Prof. Ruben Klein
> que analisa dados do INEP (MEC). Ele mostra a existência de ociosidade no
> sistema superior brasileiro;
> são mais vagas oferecidas do que ingressantes:
>
> Ingressos/vaga no Brasil 56%, sendo que:
> nas publicas 92% (ociosidade) e particulares 50% (ociosidade).
>
> Ou seja, cerca de 10% das vagas em universidades públicas não estão sendo
> aproveitadas! Isto põe por terra o argumento básico da proposta de duplicação
> (além do fato que se duplicarmos ganharemos ATË 20% a mais de recursos).
>
> No artigo se qualifica que cerca de 50% destes alunos do EM estão estudando à
> noite (alunos que concluiram os estudos com GRAVES deficiencias). Estes
> alunos não são aprovados nos exames, deixando as vagas aciosas.
>
> Se vamos ficar, pelo fato de não dobrar vagas agora, sem receber ATË 20% mais
> de recursos, paciência: daqui a 2 anos o governo Lula será parte da história.
> Com novo governo virá uma nova política para o ensino superior e, se
> duplicarmos não poderemos voltar atrás.
>
> Os cursos do fundão sofrem com perda de alunos pois estamos ao lado de um
> caldeirão que explode toda semana. Este mês a linha vermelha
> foi fechada QUATRO vezes por tiroteio.
> Quantos (bons) alunos desistem de estudar aqui por causa disso? E o plano é
> trazer os outros cursos para cá!?!?!
>
> O papel da UFRJ na ampliação do ensino superior é formar, nas suas
> pós-graduações, professores de ensino superior para estas universidades. Um
> exemplo recente são as criações dos mestrados para ensino de Matemática e
> Física na UFRJ, que vão suprir a enorme carência no Brasil de professor
> universitário para as licenciaturas que estão sendo criadas. Além disso temos
> que suprir a carência de profissionais com pós-graduação para o mercado.
>
> Em resumo, nosso papel sempre foi (e quero que continue sendo) de formador de
> formadores, e não de escolão do terceiro grau, como está proposto neste
> projeto da reitoria.
>
> Colocar a mão de obra extremamente qualificada da UFRJ para duplicar ensino
> de graduação é desperdício de recursos humanos.
>
> Eu havia superestimado o no. de concluintes do EM.
> O artigo do Ruben apresenta o número correto (eu havia dividido por 3 o no.
> de alunos do EM, mas existem mais alunos na 1a do que na 3a serie)
>
> Com isto, o numero de concluintes no EM e de vagas oferecidas nas
> universidades é:
>
> RJ: 153 mil (266 mil vagas oferecidas)
> BR: 1950 mil (2435 mil vagas oferecidas
>
> Vejam que no Brasil são 8 alunos concluindo EM para cada 10 vagas.
> No Rio de Janeiro (onde está localizada a UFRJ), sobram mais vagas ainda pois
> são 6 alunos concluindo EM para 10 vagas oferecidas.
>
> abs,
>
> Marco Cabral
> Instituto de Matemática
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