Re: [forum-prof] Sistema superior JÁ está ocioso (mais vaga que ingressante)
Felipe Acker
acker at ufrj.br
Mon Sep 24 11:06:58 BRT 2007
Numa reação tipicamente corporativista: o projeto prevê algo como 2500
novos alunos para o IM cuidar (considerando que daremos aulas para os dois
primeiros anos). Cada aluno faz, ao menos, duas cadeiras do IM por
semestre. A 50 alunos por turma, são 100 (CEM) novas turmas, todo
semestre.
Felipe
> Vou pegar carona na mensagem do Marco Aurélio.
>
> Ignorando a mortalidade dos alunos, as situações pessoais críticas e
> levando em conta que o aluno que se transfere de curso por vestibular da
> conta de evasão, proponho o seguinte modelo para a UFRJ:
>
> Evasão = Número de vagas oferecidas - Número de alunos qualificados.
>
> Se o Vestibular passar a reprovar os semi-analfabetos e os preguiçosos,
> poderemos transformar boa parte da evasão em ociosidade. A ociosidade
> pode ser compatida fechando ou fundindo cursos.
>
> A iniciativa de um bom curso básico unificado se insere nesse, e somente
> nesse contexto. Um curso básico incluindo alunos muito fracos teria como
> efeito espantar os melhores alunos (que são os que tem chances de
> concluir).
>
> Ocorre o seguinte problema, que temos que enfrentar: para os dirigentes
> da UFRJ, não valem números, análises, mercado de trabalho ou qualquer
> racionalidade. Vale apenas ideologia e espírito de corpo.
>
> O projeto de reforma apresentado pela reitoria é ideologia. Chega a
> apresentar um plano de obras sem uma estimativa de custos nem proposta
> concreta de como conseguir o dinheiro.
>
> Já a reação que vamos ter da maioria dos docentes é puramente
> corporativa. Aqueles que não se sentem prejudicados não vão se
> indispor com o poder, aqueles que se consideram injustamente
> prejudicados vão (naturalmente) bloquear o projeto.
>
> Essa dicotomia leva a um falso debate. Precisamos é de projetos
> realistas e sustentáveis, capazes de promover o crescimento da
> instituição, sejam eles compatíveis ou não com as ideologias da moda. A
> checagem da realidade pode se dar estudando o efeito do que foi feito em
> outros lugares do mundo. Por exemplo, as universidades da França se
> esvaziaram ao liberar a entrada de alunos de maneira indiscriminada.
>
> Se em última instância a Universidade não tem competência para
> formular políticas e projetos realistas, então a Reitoria tem que parar
> de atrapalhar. Os departamentos, cursos de graduação e de pós-graduação
> podem perfeitamente formular e cumprir projetos de longo prazo.
>
> Gregorio Malajovich
>
>
>
> On Fri, 21 Sep 2007, Marco Aurelio P. Cabral wrote:
>
>> Caros,
>>
>> como contribuição a discussão, repasso para vcs artigo do Prof. Ruben
>> Klein que analisa dados do INEP (MEC). Ele mostra a existência de
>> ociosidade no sistema superior brasileiro;
>> são mais vagas oferecidas do que ingressantes:
>>
>> Ingressos/vaga no Brasil 56%, sendo que:
>> nas publicas 92% (ociosidade) e particulares 50% (ociosidade).
>>
>> Ou seja, cerca de 10% das vagas em universidades públicas não estão
>> sendo aproveitadas! Isto põe por terra o argumento básico da proposta
>> de duplicação (além do fato que se duplicarmos ganharemos ATË 20% a
>> mais de recursos).
>>
>> No artigo se qualifica que cerca de 50% destes alunos do EM estão
>> estudando à noite (alunos que concluiram os estudos com GRAVES
>> deficiencias). Estes alunos não são aprovados nos exames, deixando as
>> vagas aciosas.
>>
>> Se vamos ficar, pelo fato de não dobrar vagas agora, sem receber ATË
>> 20% mais de recursos, paciência: daqui a 2 anos o governo Lula será
>> parte da história. Com novo governo virá uma nova política para o
>> ensino superior e, se duplicarmos não poderemos voltar atrás.
>>
>> Os cursos do fundão sofrem com perda de alunos pois estamos ao lado de
>> um caldeirão que explode toda semana. Este mês a linha vermelha
>> foi fechada QUATRO vezes por tiroteio.
>> Quantos (bons) alunos desistem de estudar aqui por causa disso? E o
>> plano é trazer os outros cursos para cá!?!?!
>>
>> O papel da UFRJ na ampliação do ensino superior é formar, nas suas
>> pós-graduações, professores de ensino superior para estas
>> universidades. Um exemplo recente são as criações dos mestrados para
>> ensino de Matemática e Física na UFRJ, que vão suprir a enorme
>> carência no Brasil de professor universitário para as licenciaturas
>> que estão sendo criadas. Além disso temos que suprir a carência de
>> profissionais com pós-graduação para o mercado.
>>
>> Em resumo, nosso papel sempre foi (e quero que continue sendo) de
>> formador de formadores, e não de escolão do terceiro grau, como está
>> proposto neste projeto da reitoria.
>>
>> Colocar a mão de obra extremamente qualificada da UFRJ para duplicar
>> ensino de graduação é desperdício de recursos humanos.
>>
>> Eu havia superestimado o no. de concluintes do EM.
>> O artigo do Ruben apresenta o número correto (eu havia dividido por 3
>> o no. de alunos do EM, mas existem mais alunos na 1a do que na 3a
>> serie)
>>
>> Com isto, o numero de concluintes no EM e de vagas oferecidas nas
>> universidades é:
>>
>> RJ: 153 mil (266 mil vagas oferecidas)
>> BR: 1950 mil (2435 mil vagas oferecidas
>>
>> Vejam que no Brasil são 8 alunos concluindo EM para cada 10 vagas. No
>> Rio de Janeiro (onde está localizada a UFRJ), sobram mais vagas ainda
>> pois são 6 alunos concluindo EM para 10 vagas oferecidas.
>>
>> abs,
>>
>> Marco Cabral
>> Instituto de Matemática
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