[forum-prof] Proposta da Reitoria p/ UFRJ

LuizEduardo2 luizeduardo2 at infolink.com.br
Thu Sep 13 22:28:33 BRT 2007


At 07:30 13/9/2007, you wrote:
>Caros,
>
>Vou discutir aqui o PROGRAMA DE REESTRUTURAÇÃO E EXPANSÃO DA UFRJ 2008-2012.
>
>São três partes:
>    Parte I: Resumo das propostas apresentadas
>    Parte II: Detalhamento das propostas com críticas.
>    Parte III: Algumas sugestões e propostas alternativas
(...)
>Marco Cabral
>Instituto de Matemática





"Equacionar uma universidade"... analisar 
conjunturas como base para o planejamento, 
delinear alternativas de políticas e programas...
havemos de convir que isso é uma "habilitação profissional".

Como se trata de uma questão de natureza 
"política", de dimensão "pública", claro que 
podemos e devemos ter opiniões e propostas... cidadãs.

Mas sempre lembrando e reconhecendo nossas 
"habilitações" limitadas, e que é uma opinião 
cidadã... e não necessariamente o resultado de um 
processo com tecnicalidades e lógica.

Fico muito a vontade pra fazer essa ponderação, 
porque não sou Administrador, nem sou Professor 
de Pedagogia, mas apenas engenheiro e professor da Farmácia.
Ou seja: é uma opinião técnica, não é uma 
reivindicação corporativa, que dê mais poderes a 
mim do que a outros, para decidir sobre a UFRJ.


Então... se me parece tolerável e perdoável...
me parece também um equívoco tecnicamente muito 
grosseiro... o que tenho ouvido, lido e assistido.
Meus colegas fazem uma lambança geral nas 
propostas, misturando medidas de níveis 
totalmente diversos. De um lado, discutem as 
prioridades da política educacional e científica 
e, não de outro lado, mas aí desse lado mesmo, 
discutem normas sobre o figurino do professorado, 
se deve ser permitido dar aula de bermudas e 
chinelos ou não.  Até podemos discutir chinelos, mas não tudo misturado, né ?

Esse então é um problema grave na condução dos "trabalhos".


O outro problema, igualmente grave, é cada um 
olhar apenas pela sua propria janela, para um recorte limitadíssimo do cenário.

Me chama atenção uma, dentre muitas 
contradições:  me refiro a essa de priorizar a 
Pós-Graduação, duplicar o número de alunos de pós-graduação.
Só ficou faltando lembrar de propor, também,  a 
duplicação do número de bolsas para pós-doutores desempregados...


Não me convidem para nenhuma mobilização que não 
seja em defesa, mais que tudo, da Graduação.
De um lado, a proposta é CAP.
De outro lado, a proposta é Pos-Graduação.
E a Graduação... a gente vai deixar pra Estácio... é isso ?


Isso não está correto nem em relação aos 
interesses e necessidades dos contribuintes, do 
mercado e do projeto de nação... e tampouco está 
correto em relação à defesa da imagem da 
instituição, do fortalecimento político da 
instituição dentro do quadro de relações de poder.
Poxa...
se a gente vai esvaziar a Graduação...
quando a gente fizer greve...
a gente vai fazer greve de quê ?
A greve vai ser... parando de publicar e sabotando o Lattes ?
Fala séééério...


A origem desse equívoco, me parece, está no fato 
de Física e Matemática e Química serem cursos com 
uma realidade e Medicina, Farmácia e Educação 
Física serem profissões e curso com outra realidade.


Ainda com relação ao angulo, ao prisma, à janela e ao recorte do cenário...
é preciso em algum momento que olhemos pelo olhar 
do alunado... e não apenas pelo olhar do professorado.


Então... cursos semi-presenciais não é um 
artifício safadinho pra botar mais aluno pra 
dentro, sem aumentar o numero de salas, de bibliotecas ou de professores.

Cursos semi-presenciais...
cargas horarias reduzidas em sala de aula, mas 
expandidas em estágios nas empresas ou orgãos 
públicos... isso não é armação pra poder expandir...
isso é necessidade pedagógica, decorrente dos 
novos tempos, diretamente relacionada com as 
novas mídias e tecnologias de ensino.
Em resumo: é simplesmente estúpido prender 
alunos, dentro do campus, durante cinco anos, copiando aula.


Sobre a proposta para Extensão... ela é mediocremente risível.
A Extensão não é filantropia.
As crianças doentes da Vila do João merecem e 
demandam um posto de saúde profissionalizado.
E não uma improvisação com alunos.

Uma universidade só pode ter um Posto de Saúde, e 
inclusive um Hospital Universitário, se for pra 
ser "modelo" e espaço de inovação, de treinamento e capacitação.
Não pode ser coisa de amador ou de heróis.

Não me queiram mal, por favor.
Inclusive porque a universidade está tão 
abandonada, o Rio de Janeiro está tão abandonado, 
o país está tão abandonado... que qualquer pessoa 
que ainda se disponha a discutir esses assuntos, 
a ler, a ouvir e a escrever sobre esses assuntos, 
por mais equivocados que sejam seus reunis e 
pareceres, ainda assim... merecem atenção e aplauso.

Tudo talvez seja uma questão de sabermos olhar e 
respeitar os angulos e as janelas dos outros.

Se é pra duplicar o numero de pós-graduandos... tudo bem.
Se é pra garantir vagas para filhos de professores nos CAPs... tudo bem.
Só não pode querer esculachar a graduação.
Não é preciso.
Nem é correto.

Conto com a compreensão e a tolerancia.
Desculpem qualquer coisa...


L.E.


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