[forum-prof] Proposta da Reitoria p/ UFRJ

Marco Aurelio P. Cabral mcabral at labma.ufrj.br
Thu Sep 13 07:30:09 BRT 2007


Caros,

Vou discutir aqui o 
PROGRAMA DE REESTRUTURAÇÃO E EXPANSÃO DA UFRJ 2008-2012.

São três partes:
    Parte I: Resumo das propostas apresentadas
    Parte II: Detalhamento das propostas com críticas.
    Parte III: Algumas sugestões e propostas alternativas

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Parte I: Resumo das propostas apresentadas:

1. Vestibular deixar de ser única forma de ingresso.
2. Trazer praia vermelha e cursos do centro da cidade para o Fundão
3. Aumentar matrículas de graduação p/ o DOBRO em 5 anos:
    - ampliando noturno
    - novos cursos como por exemplo o bacharelado do CCMN com 310 vagas
      diurnas e 480 noturnas (note bem o AUMENTO de vagas: leiam o
      documento!)
    - mais vagas em cursos antigos (novas vagas na engenharia por
      exemplo, que aumenta carga do IM e do IF).
4. Implantar graduações curtas (REUNI)
5. Implantar basicões (juntando centros CT + CCMN, CFCH + CCJE)
6. Fazer um CAP no Fundão
7. Juntar CEG com CEPG
8. centralizar despesas de custeio na reitoria
9. Democratizar extensão (?!?!), incluindo
    movimentos sociais nas decisões (?!?)
10. Implantar disciplinas semi-presenciais
11. Rever estruturas departamentais
12. Algumas outras:
    - fazer uma biblioteca central
    - construir estádio de futebol
    - área de lazer (Shopping)
    - bandejões

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    Parte II: Detalhamento das propostas com críticas.

Acho ótimo que nossa reitoria (e que nosso dirigentes de forma geral) 
tenha um projeto para UFRJ. Todos nós devemos elogiar iniciativas
deste tipo (projetos de futuro para a UFRJ).

É claro que as medidas deste programa devem ser votadas de
forma pontual pois as propostas não são dependentes umas das outras.
Por exemplo, não apresenta nenhuma interrelação:
    (a) juntar CEG com CEPG;
    (b) criar novas formas de acesso (sem vestibular);
    (c) trazer TODA a praia vermelha para o fundão;
    (d) dobrar número de matrículas de graduação;
    (e) fazer um novo CAP no fundão
São relacionadas, no entanto:
    (a) Implantar graduações curtas (REUNI)
    (b) novos cursos como por exemplo o bacharelado do CCMN com 310 vagas
      diurnas e 480 noturnas.
Não faz sentido aprovar nem reprovar o projeto. Embora concorde com
alguns pontos, se fosse pressionado eu o reprovaria como um todo 
para que ele seja reapresentado de forma pontual.

Fala-se no início em "universalização do ensino superior". Eu nunca vi
isto como programa de governo algum. Como meta para UFRJ
(universalizar ensino superior) é algo que me assusta: 
parece querer transformar a UFRJ em escolão.

Acho que nossa vocação é no sentido de duplicar o número de alunos de 
pós-graduação. Implantar campus avançados de pós-graduação.
Nos não vamos ser melhores que diversas públicas e particulares, que já
estão fazendo a ampliação em massa da graduação. Vamos fazer o que
podemos fazer melhor que outras. Portanto vamos dobrar o número de
vagas de PÓS-GRADUAÇÃO.

O projeto é dissonante com o atual momento histórico quando 
insiste em "Garantia ...  de custeio a partir
de recursos públicos, oriundos do orçamento fiscal da União;". Neste
ponto parece negar que podemos ser financiados (também) via projetos com
empresas (públicas e particulares) e cursos lato-sensu (MBAs) também.

1. Vestibular deixar de ser única forma de ingresso.
    Estão propondo "mecanismos de acesso à Universidade alternativos
    e complementares às provas vestibulares" reclamando
    "caráter "elitista" dos mecanismos de ingresso¨.
    Ao invés de propor mudanças no vestibular, estão propondo atalhos:
      (a) "Oferta de vagas de graduação para  professores  da  rede
      pública  de educação básica, com dispensa de vestibular."
      Vai se criar uma porta de exceção ao vestibular. Amanhã outras
      categorias vão querer ser incluídas. Por exemplo: porque nossos
      filhos não tem acesso direto sem vestibular? Devemos nos opor por
      princípio a este tipo de distorção.
      (b) "vagas destinadas a estudantes provenientes da rede  pública  de
    ensino básico, avaliados de modo permanente em suas próprias
    escolas."
    O que significa ser avaliado em suas escolas? Acho que é o que foi
    proposto pelo CCMN (no âmbito do PROMED)
    a uns dois anos atrás e rejeitado pela congregação do IM e por
    TODOS os coordenadores de curso do IM: os professores das escolas
    escolhem seus alunos com base em provas que
    eles mesmos elaboram. Vai dar um poder extraordinário a estes
    professores. Qual a garantia de lisura neste processo? É tão
    assustador a perspectiva que devemos, novamente, rejeitar de forma
    muito clara dizendo: entrada de novos alunos do ensino médio
    é por vestibular.

    (c) Num momento mais adiante "Ampliação dos mecanismos de  ingresso
    na  Universidade,  com  avaliação diferenciada e sem vestibular."

    Fiquei me perguntando: Porque nenhuma palavra no documento quanto a mudar
    o esquema atual de vestibular? Porque não propor, por exemplo
    primeira fase no ENEM (múltipla escolha) e segunda fase com
    específicas por área? Ou juntar (pelo menos) a
    primeira fase das públicas (UFF, UERJ, UNIRIO, UFRRJ, etc.)?

2. Trazer praia vermelha e cursos do centro da cidade para o Fundão
    Acho uma temeridade, embora simpatize com junção de todos os cursos
    em único lugar. Dados os problemas da ilha do fundão (além de
    tiroteios, agora engarrafamentos). Pode-se pontualmente trazer
    alguns cursos. De todo modo, nós do IM temos que pedir que acabem
    com transferência do IM para ilha pois até hoje NÃO temos prédio
    próprio.

3. Aumentar matrículas de graduação p/ o DOBRO em 5 anos:
    Como já disse, devemos ter como meta DOBRAR nossa PÓS-GRADUAÇÃO,
    pois nisto poderemos fazer diferença, dada a qualificação de nosso
    corpo docente.
    Um outro problema é que os pressupostos dessa proposta estão
    errados. Dados do INEP (do MEC) mostram que o
    número de vagas oferecidas pelas universidades (públicas e
    particulares)
    é MAIOR que o número de formandos do
    ensino médio. Nosso principal problema na graduação, pouco
    enfatizado no documento, é a EVASÃO.
    Aqui no CT/CCMN sentimos este problema através da falta de
    alunos qualificados para preenchê-las: temos que melhorar o ensino
    médio.

4. Implantar graduações curtas (REUNI)
     Já discutimos muito este assunto por aqui.
     No documento é mencionado o bacharelado do CCMN, que foi aprovado
     por margem estreita na nossa congregação e reprovado por 4 dos
     5 departamentos do IM.  Note bem que no documento é explicitado
     o AUMENTO no número de vagas: "bacharelado do CCMN com 310 vagas
      diurnas e 480 noturnas".

     A justificativa para criar estes cursos é
     "Ultrapassamos a época da multidisciplinaridade e da
     interdisciplinaridade para atingirmos a época da
     transdisciplinaridade". Para quem não entendeu nada acrescento que
     "A transdisciplinaridade não elimina nem a disciplina nem os
     enfoques multi e interdisciplinares, mas os transforma, subordina e
     reorganiza." (?!?!?!)

5. Implantar basicões (juntando centros CT + CCMN, CFCH com CCJE, etc)
     Pode ser uma boa idéia, mas depende de detalhes.

6. Fazer um CAP no Fundão
   "elaboração  de projeto para implantação de complexo de educação
   infantil  e  ensino fundamental, médio e técnico no Campus da Cidade
   Universitária;".

   Trata-se de excelente idéia. Devemos aproveitar
   para reapresentar o projeto apresentado pelo meu colega Felipe Acker
   que fornece idéias excelentes (principalmente tornar permeável o
   corpo de docentes do CAP com docentes das licenciaturas)

7. Juntar CEG com CEPG: "Criação do Conselho de Ensino, Pesquisa e
    Extensão."

     Acho ótima idéia. Será mais fácil se obter representantes para um
     grande órgão superior (pois é um sacrifício ser representante). Não devemos
     dissociar atividades de ensino, pesquisa e extensão. Diversas outras
     federais fazem isto.

8. centralizar despesas de custeio na reitoria.
    Eu não costumo gostar de centralização. Os diretores das unidades
    tem que ficar atentos a este item. Não sei o real significado deste
    ponto.

9. Democratizar extensão (?!?!), incluindo movimentos sociais nas
    decisões (?!?)
    Item enigmático. Insinua falta de democracia na UFRJ.
    Parece que quem vai dizer o que vamos fazer são os movimentos
    sociais. Quem são estes movimentos? ANDES, PROIFES, CONLUTAS, CUT,
    FIERJ, CUT, MST?
    Achei um ponto muito estranho. Eu não aprovo isto de jeito nenhum.

10. Implantar disciplinas semi-presenciais
    Pode ser uma boa saída para os números cada vez maiores de alunos
    de nossas graduações.

11. Rever estruturas departamentais:
     "Revisão  da  estrutura departamental,  de  modo  a  separar
     atividades administrativas  das atividades  acadêmicas... "
     Acho que é boa idéia mas faltam detalhes para se julgar.

Por fim, me incomodou bastante o tom geral do documento, que a todo momento
insinua que a UFRJ não é democrática (a extensão, seu vestibular,
sua estrutura, etc.). Além de partes que mostrei acima, acrescento:
      --- "transformação da UFRJ em uma universidade aberta,
      democrática, de qualidade e acessível a todas as camadas da
      população."
      ---- "Consolidação e ampliação da democracia institucional ....
      através da representação de... todos os segmentos que compõem a
      comunidade universitária"
Atualmente elegemos nossos representantes, diretores, chefes, decanos
e reitor. Qual o real significado destas afirmações?

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    Parte III: Algumas sugestões e propostas alternativas

1. Transferir cursos noturnos da ilha do fundão para o centro da
cidade. O campus à noite é muito perigoso. 
Seria muito melhor colocar estes cursos  no centro, que é acessível à todos e
possui segurança muito maior.

2. Duplicar vagas de PÓS-GRADUAÇÃO. 
Esta é uma necessidade do Brasil hoje. 
Uma razão é que as empresas exigem formação cada vez
melhor dos profissionais. Outra é que a ampliação em massa 
do ensino de graduação das  universidades (píblicas e particulares)
exige a formação de professores universitários para elas. Somos nós que
poderemos fazer este importante papel social.

3. Juntar o vestibular das públicas (UERJ, UFF, UNIRIO, etc.) com duas
fases:
    (a) múltipla escolha de Português e Matemática (pode ser o ENEM, ou
    o ENEM modificado, ou uma prova específica para isto)
    (b) provas discursivas por área. Cada área decide quais provas.
    Algumas carreiras podem selecionar somente com base na primeira
    parte.

4. CAP na UFRJ nos moldes da proposta do meu colega Felipe Acker:
corpo docente do CAP deve ser mesclado com corpo docentes das
licenciaturas. Os professores deste CAP devem dar aula no CAP 
e nas licenciaturas simultaneamente 
(respeitadas as restrições legais, é claro). Isto vai
beneficiar ambos alunos (do CAP e da UFRJ). Existem diversas
disciplinas do currículo da licenciatura que poderiam ser dados por
professores do CAP mas a estrutura não permite. Da mesma forma colegas
que dão aula na licenciatura deveriam poder dar aula no CAP. Desta
forma juntar teoria com prática. A idéia é que o HU está para medicina
assim como o CAP deve estar para licenciatura. Voces podem imaginar um
curso de medicina dissociado de um hospital, tal qual ocorre com as
licenciaturas hoje?

5. Acabar transferência de unidades para ilha do fundão. Construir um
prédio de sala de aulas para o CT/CCMN. Equipar este prédio com salas
grandes com microfone, datashow e computador, com rede sem fio.
Vamos colocar a UFRJ na era da modernidade.
Construir um prédio para o IM pois até hoje estamos "de favor" no CT.

6. Implantar Campus Avançados de Pós-Graduação
    Seriam polos multidisciplinares, onde docentes poderiam ficar por
    seis meses até um ano. Uma espécie de Instituto de Estudos
    Avançados. Lá poderiam ser oferecidos cursos de especialização,
    mestrado e doutorado.

7. Prioridade no CAP para professores e funcionários da UFRJ.
    Toda escola faz isso. Vários amigos meus ficam espantados quando
    descobrem que não temos prioridade alguma.  Com o custo alto do
    ensino, este é um benefício que deveria ser oferecido pelo nosso
    empregador.

8. Prioridade na Hospital Universitário para professores e
    funcionários da UFRJ.
    Mesmo princípio do item anterior. Com o custo exorbitante da saúde,
    este é um benefício que deveria ser oferecido pelo nosso empregador.


Para quem chegou ao final agradeço a paciência.

Um grande abraço.

Marco Cabral
Instituto de Matemática


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