[forum-prof] Nada se cria, tudo se copia - Foi o Chacrinha que disse isso?
Maria A. Silva
maria.a.dasilva at terra.com.br
Wed Aug 29 13:13:33 BRT 2007
De fato, Marcio, nada do que se fez ou se tentou fazer até hoje, na prática,
lá fora, tem consistência.
Por isso a discussão continuou e muitas dessas propostas já nem vigoram.
Venho lendo também alguns trabalhos sobre projetos inter e
transdisciplinares desenvolvidos por instituições brasileiras há uma década,
mais ou menos, e não consigo identificar nada além do que você denomina - e
muito bem - "defesa de princípios genéricos".
O que me intriga é essa tendência geral do brasileiro a recolher caquinhos
de outros discursos, quase sempre decadentes e anacônicos, e assinar
embaixo, como se fosse o autor.
Nisso o governo atual é a nossa cara.
A pressa, por outro lado, tem explicação certeira.
Abraço,
Maria
P.S.: Eu falei de estresse e não consegui escapar dele nem no título da
mensagem... "Redundências"... está mal...
_____
De: marccosta [mailto:marccosta at terra.com.br]
Enviada em: quarta-feira, 29 de agosto de 2007 12:52
Para: maria.a.dasilva
Cc: forum-prof; masilva1956
Assunto: Re:RES: RESAZ: [forum-prof] Fwd: Assembléia Geral da Adufrj-SSind,
30 de agosto de 2007
Cara Maria,
não sou pedagogo, mas sociólogo. Trabalho com pesquisa em educação há cerca
de 20 anos. Sei que essa discussão sobre interdisciplinaridade nada tem de
nova. Por que será que até hoje pouco vai além da defesa de princípios
genéricos ou do eterno anúncio de novos tempos? O problema é que não conheço
forma consistente de aplicar seus princípios nos processos de formação.
Gostaria de ouvir da boca do Reitor como é que se faz esse negócio de ensino
transdisciplinar (isso tem mais a ver com a intenção de alargar o escopo da
formação inicial, generalista). Com certeza não é juntando alunos de
diferentes inclinações profissionais. Desconfio que tem a ver com o mundo da
tecnologia, da aplicação. Mas o conhecimento segue sendo produzido e
transmitido disciplinarmente - segundo corpos conceituais estabelecidos,
propagados por burocracias e aparatos institucionais específicos.
A imensa maioria das ocupações, especialmente no setor de serviços, tende a
não guardar relação direta com a formação nas carreiras tradicionais,
universitárias. No entanto, o acesso a essas últimas parece alargar as
oportunidades e mesmo a qualificação para tais ocupações, possivelmente pela
ampliação dos horizontes culturais e pelo contato mais prolongado com a
"cultura científica". Tenho uma filha que fez Nutrição, aqui na UFRJ, e hoje
gerencia um restaurante. Seu trabalho é fundamentalmente administrativo.
Pouco da tecnicalidade da área que ela aprendeu na faculdade deve estar
sendo posto em uso, mas estou convencido que ela se beneficia dos quatro
anos de ralação na UFRJ e esse é um diferencial. Há pesquisas na Inglaterra
mostrando bem esse quadro.
Por outro lado, paira sempre a nuvem da necessidade de ajustarmos
funcionalmente a configuração do ensino às demandas do mercado de trabalho.
Essa sincronia é praticamente impossível (ainda bem) e a sociologia da
educação o tem demostrado desde os anos 70 (Randall Collins).
Por isso - e por outras razões - desconfio dessa pressa toda em definir
mudanças tão profundas, mas advindas de posições ainda nebulosas.
Abs,
Marcio.
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