[forum-prof] Sugiro remeter cópia dessa sua resposta para Belkis Valdman
Abraham Zakon
azakon2 at globo.com
Tue Aug 28 21:04:10 BRT 2007
Prezado Márcio.
Ontem apresentei um filminho na solenidade de abertura da Semana da Escola
de Química (74o Aniversário) incluindo algumas fotografias dos anos 44 a 47
dos alunos e professores da Escola Nacional de Química. Todos viram o
seguinte:
1 - A ENQ-UB priorizava o ensino da Química para seus alunos, com muitas
práticas laboratoriais individuais e grupais (50% da carga horária
curricular).
2 - O regime seriado era agregador de alunos e docentes.
3 - Naquele tempo não havia simulação nem modelagem computacional, nem
calculadora eletrônica nem telinha de coisa alguma e as réguas de cálculo
foram usadas por todos os alunos.
4 - Professores e formandos tiravam fotografias vestidos de jaleco branco
nos laboratórios ao lado de algum equipamento analítico ou de reação
química. Não havia essa coisa de fotografar em lugares exóticos ou
turísticos. Nem televisão transformando formatura em programa de auditório
de tv com caras, caretas e rebolados.
Não comentei ontem, mas poderia: o ensino era definido pelos catedráticos.
Hoje, temos uma disciplina de "Química Quântica", sugerida pelos vários
doutores novatos da EQ-UFRJ sem saber qual seria a reação dos alunos (eles
detestam a disciplina).
Hoje, vigora a moda do teclado: "enter" (acho que arrancaram as teclas "del"
pois a "pause" não mais existe).
Hoje, vigora o pires para pedir dinheiro. Antigamente, a gente fazia
orçamentos.
Há 30 anos, o professor fazia plano de aulas e relatório ao final do ano
para mostrar ao Chefe a Produção. Hoje, ele digita as notas no SIGA e se o
Chefe quiser vai tomar conhecimento. Sua produção acadêmica tem de ser
digitada no SIGMA, senão pode ser alijado da pós-graduação e... Aí, o Chefe
toma conhecimento porque o sistema exige.
As novas pró-reitoras da PR1 e PR2 são pessoas bem sucedidas. Pode ser que
compartilhem um clima de euforia na Reitoria, que mereça conhecerem a sua
mensagem.
As pessoas ao nível do MEC parecem querer aprovar tudo antes do processo em
julgamento no STF. Isso é arriscado.
Cautela é muito importante para toda a UFRJ.
Abraham Zakon
Escola de Química
-----Mensagem original-----
De: forum-prof-bounces at if.ufrj.br [mailto:forum-prof-bounces at if.ufrj.br] Em
nome de Marcio da Costa
Enviada em: terça-feira, 28 de agosto de 2007 19:15
Para: forum-prof at listas.if.ufrj.br
Cc: Uniaberta
Assunto: Re: RESAZ: [forum-prof] Fwd: Assembléia Geral da Adufrj-SSind, 30
de agosto de 2007
Colegas,
mudo um pouco, mas só um pouco, de assunto.
Recebi e demos início à discussão do Projeto Reuni na UFRJ em minha unidade.
Assinalo que concordo, de maneira geral com as diretrizes - ampliação e
democratização do acesso. Ressalvo o que me parece um vazio na moda - a tal
da transdisciplinaridade, apesar de simpatizar muito com a idéia do basicão.
Concordo com a idéia de levar tudo - ou quase - para o Fundão.
Em suma, tenho a maior boa vontade com a proposta, mas sinceramente, não dá
para aceitar essa tentativa de enfiar pela goela o pacote, sem discussões
com razoável profundidade.
Um projeto de tal magnitude - mesmo que não enfrentando questões cruciais da
carreira e da falta de responsabilização geral - não pode ser deliberado a
toque de caixa, especialmente com um projeto tão incipiente, tão indefinido
quanto o apresentado.
Essa forma açodada apenas alimenta as posições alarmistas e paranóicas. Sei
que o MEC também está pressionando, mas não é possível que o Reitor da UFRJ
não seja capaz de ponderar por um pouco de cautela e sensatez.
Por exemplo, para minha unidade, a proposta é radical: extinção e criação de
um Instituto Superior de Educação, congregando as licenciaturas.
Não me oponho a criarmos uma grande unidade de formação de professores, mas
do jeito que a proposta está, é apenas um nome. E um nome com significado
inadequado, no caso do Brasil.
Os institutos superiores de educação, em nosso caso, são uma alternativa às
"escolas normais", não às faculdades de educação. Excluem a pesquisa e
adquiriram a má fama de terem sido implantados em instituições caça-níquel,
de baixa reputação. É isso que a UFRJ propõe? E por que isso de criar mais
uma unidade à parte, separada dos centros, especialmente do que congrega as
ciências humanas?
Nada disso está previsto ou explicado na proposta em pauta. Muitas outtras
coisas estão apenas rascunhadas, como mostra o abrupto final da proposta,
que lista unidades da UFRJ fora do Fundão ou da Praia e, aparentemente, não
sabe o que fazer com eles.
O que fazer com a previsível insuficiência de recursos para implantação da
proposta completa? O que será priorizado? Qual a consistência da proposta,
caso sua implemnentação não seja integral? Alguém fez simulação?
Em suma, aprovamos na FE uma proposta de defender, ao menos até o fim do
ano, o prazo para discussão e esclarecimento da proposta.
Abs,
Marcio da Costa.
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