Re: [forum-prof] Re: Cargas horárias não revela m as dificuldades dos alunos nem o empenho dos docentes. (fwd)

Felipe Coelho coelho at if.ufrj.br
Wed Aug 1 20:38:37 BRT 2007


Oi Gregório

Concordo plenamente!!!! Enquanto elegermos pelo voto direto os chefes, em 
todas as instâncias, que dizem como trabalharemos é difícil qualquer ação 
inovadora, ou até mesmo as ações de rotinas trabalhosas. Quantos chefes, 
diretores, decanos ou reitores se elegeriam dizendo que todos teriam que 
trabalhar mais, melhor ou de forma inovadora? Nas apresentações do PDE por 
exemplo diretores de unidades da Praia Vermelha diziam - sou pessoalmente 
favorável à vinda para o Fundão, seria melhor para a minha unidade e para a 
UFRJ, mas sendo realista a maioria dos docentes da minha unidade não quer 
vir sair da Zona Sul. O dirigente pode e tem que ser um líder e dizer e 
fazer coisas inovadoras, mas quantos fazem?

Vivemos assim numa mediocridade administrativa, onde dizemos a nós mesmos 
que somos ótimos... e ficamos felizes. Todos gostaríamos que fossemos os 
melhores, mas somos? Será que não temos nada mesmo a aprender do modelo de 
campus disperso pelos subúrbios/cursos noturnos das IES particulares, como 
a Estácio, ou do modelo de avaliação contínua/ensino baseado em leitura de 
textos, como o do consórcio CEDERJ?

Abraços, Felipe

At 19:03 01/08/07 -0300, Gregorio Malajovich wrote:

>Felipe,
>
>Gostei da frase. A concepção de Universidade como o lugar onde
>os jovens vem aprender é boa. A experiência mostra que deve
>haver cobrança e exames. Ainda assim é produtivo oferecer cursos,
>dentro desse espírito.
>
>Isso é possível, é feito, mas na UFRJ não é generalizado. Mesmo
>propostas modestas (oferecer alguns cursos nesse nível e espírito,
>ou algumas disciplinas) encontram resistência ferrenha, até mesmo
>sabotagem por setores da UFRJ. São problemas menores, fáceis de resolver, 
>mas que ferem interesses poderosos.
>
>Por exemplo, AS BIBLIOTECAS CONTINUAM FECHADAS. Nenhuma Universidade
>de verdade fica dois meses sem bibliotecas. Ao negar aos alunos o
>acesso ao conhecimento, estamos excluindo eles do mundo acadêmico.
>
>A solução extremamente simples é colocar a existência da Universidade
>como espaço de aprendizado  acima dos interesses corporativos e políticos.
>
>Se isso exige cortes de ponto, demissões, disponibilidades, e o fim
>desse sistema político arcaico e obscurantista, temos que pesar custo e 
>benefícios.
>
>Por sinal, não consigo lembrar de muitos exemplos históricos de
>funcionários públicos vitalícios escolhendo o próprio chefe
>por um mandato temporário. Nem a igreja católica faz isso.
>
>Talvez as juntas militares ?
>
>[],
>Gregorio
>
>
>
>
>
>
>
>On Tue, 31 Jul 2007, Felipe Coelho wrote:
>
>>Prezado Abraham
>>Tua questão é importante, ela envolve o conceito de universidade, mas tem 
>>implicações legais. As leis obrigam os alunos a assistir muitas aulas e 
>>assim os obrigam a  ter uma atitude passiva de aprendizado. Ampliando tua 
>>questão, esses aspectos formais - regime seriado versus regime de 
>>créditos ou método de avaliação (quantas provas, etc) - são a ponta do 
>>iceberg. (Particularmente, eu gosto muito do regime de créditos.) A 
>>questão maior é de como encaramos a missão do ensino na universidade. 
>>Temos que dar menos aulas e insistir que os alunos estudem mais sozinhos, 
>>em grupo ou conversando com professores, caso contrário estaremos 
>>formando pessoas que terão dificuldade em sua vida pós-recebimento do diploma.
>>O reformador da universidade inglesa, o cardeal Newman, tem uma frase que 
>>acho fantástica e que citei num artigo que escrevi sobre o Ciclo Básico 
>>(http://www.sbfisica.org.br/rbef/Vol24/Num1/v24_47.pdf )
>>"Se eu pudesse escolher entre uma pretensa universidade sem regime de 
>>internato e sem supervisão de orientadores, a qual concederia seus 
>>diplomas a toda pessoa aprovada em um exame sobre matérias variadíssimas, 
>>e uma universidade sem professores, sem exames, que se contentasse em 
>>fazer coabitar jovens, durante três ou quatro anos, antes de sua partida 
>>para a vida ... eu preferiria sem hesitação a universidade que não 
>>fizesse nada àquela que exigisse de seus estudantes o conhecimento de 
>>todas as ciências existentes."(The Idea of a University, Cardeal Newman, 
>>o grande reformador da universidade inglêsa; texto escrito em 1852 e 
>>citado em ''Concepções de Universidade", Drèze e Debelle, UFC, 1983).
>>A frase é extremista mas esse é o espírito: a universidade tem que ter 
>>jovens que querem aprender em contato com professores que os querem 
>>orientar e não ter jovens que passam por detalhadas grades curriculares e 
>>que fazem milhares de provas, sob a fiscalização contínua de professores 
>>que os obrigam a estudar... O problema é que o modelo inglês exige jovens 
>>de extrema curiosidade intelectual e hoje o que vemos, até no Reino 
>>Unido, é muita gente que apenas se preocupa com o que vai cair na prova. 
>>O importante é passar e não aprender, aí gastam um tempo enorme decorando 
>>gabaritos de listas e de provas. Na semana passada eu estava na fila do 
>>almoço no Kilowatts e tinha uns alunos comentando que se deram bem pois 
>>tinham decorado a prova antiga de um professor e este a repetira...
>>E nós professores gastamos muito tempo repetindo o que está escrito no 
>>livro! Um colega meu deu um curso de física para formandos de física e o 
>>jeito que teve de obrigá-los a estudar foi o de dar uma lista de 
>>exercícios por aula... Funcionou mas é triste. Uma versão, mesmo que 
>>fosse diluída, da universidade inglesa nos faria bem.
>>Abraços
>>
>>
>>
>>
>>NAt 14:44 31/07/07 -0300, Abraham Zakon wrote:
>>
>>>Meus prezados Felipe, Maria e demais colegas.
>>>
>>>1 - Cursei a graduação no regime seriado. Os alunos regulares tinham 
>>>tempo para estudar, estagiar e lazer.
>>>
>>>2 - No regime de créditos e requisitos, os docentes destacam as cargas 
>>>horárias globais menores para os cursos, que só incluem aulas teóricas e 
>>>experimentais.
>>>
>>>3 - Na minha graduação, a carga horária era maior, mas incluía horas de 
>>>aulas teóricas, laboratoriais e de estudo em casa ou com os colegas.
>>>
>>>4 - Enquanto isso nas disciplinas semestrais e individuais, cada docente 
>>>faz o que quer.
>>>
>>>5 - Alguns dão 3 provas, outros dão 2 provas e até 4 provas e outros 
>>>aplicam provas com duração de 5 a 6 horas... contrariando determinações 
>>>da Congregação. E as evasões e retenções se sucedem...na graduação.
>>>
>>>6 - Eu aplico 1 teste (sem necessidade de estudar antecipadamente) no 
>>>horário de aulas e 2 provas com consulta livre que obrigam os alunos a 
>>>irem pesquisar nas Bibliotecas. Ontem, um dos meus alunos de 
>>>pós-graduação comentou que já encontrou vários alunos de graduação que 
>>>preferem o estilo de estudar para as provas comuns (não importando a sua 
>>>duração), porque dá menos trabalho.  Um dos ex-presidentes da nossa 
>>>Associação de Ex-Alunos constatou a diferença entre dois alunos de 
>>>graduação, um dos quais havia cursado uma disciplina comigo e que sabia 
>>>encontrar os dados necessários no seu estágio com maior facilidade.
>>>
>>>6 - Eu leciono para que eles aprendam e discutam comigo em sala de aula 
>>>a matéria básica e encontrem o que precisem tanto nos livros e, também, 
>>>na Internet, de forma complementar. O mais importante é reunir 
>>>conceitos, dados, figuras e fotografias que façam eles tomarem 
>>>conhecimento de um mundo novo: o profissional e industrial da Engenharia 
>>>Química, sem esquecer do lado humano ou social (porque eles serão 
>>>pessoas de nível superior).
>>>
>>>7 - Não sei quantas horas de estudo eles, alunos, ocupam com minhas 
>>>disciplinas, cujo estilo de cobrança é o mesmo. Eles podem me encontrar 
>>>por e-mail e celular. Vários alunos utilizam estes meios de comunicação 
>>>comigo. Respondo da melhor maneira possível. Às vezes, eles querem a 
>>>resposta pronta... e eu mando procurar dando-lhes alguma pista...
>>>
>>>8 - Os melhores tempos da Escola (Nacional) de Química foram os do 
>>>regime seriado, onde , pelo menos 95% dos alunos se formavam no prazo 
>>>previsto pela grade curricular. A freqüência às aulas era muito elevada, 
>>>com raras exceções. Não havia estágio obrigatório, o que hoje enlouquece 
>>>os alunos que precisam conciliar horários de aulas
>>>
>>>9 - Hoje, os alunos vão à Formatura (que virou um espetáculo televisivo 
>>>para encantar as famílias que nunca foram ao programa do Chacrinha) sem 
>>>totalizar os créditos para conclusão do curso e diplomação. Depois 
>>>conseguem emprego (ou apenas uma promessa) e pressionam os professores 
>>>de disciplinas regulares ou de projeto final de curso para serem 
>>>aprovados rapidamente. Quando ficam reprovados... o mundo vem abaixo, 
>>>né? Então, o professor que exige o mínimo razoável para dignificar o 
>>>diploma que a UFRJ concede se torna um vilão.
>>>
>>>10 - Essa vilania, que conquistamosquando trabalhamos com seriedade, é 
>>>decorrência não do número de horas estudadas, que deveriam valorizar o 
>>>aprendizado do aluno, mas da facilidade que o aluno encontra em passar 
>>>numa ou noutra disciplina e... ficar livre dela! Eles querem concretizar 
>>>seus sonhos de progresso pessoal.
>>>
>>>11 - Nesse caos acadêmico onde se discutem esses detalhes, pergunto 
>>>(porque conheço os alunos e seus apertos): qual é a freqüência real dos 
>>>alunos às aulas nos meses de maio-junho e outubro-novembro quando 
>>>coincidem o estágio obrigatório e horários das provas misturadas das 
>>>Escolas e Institutos ou do mesmo departamento?
>>>
>>>12 - No momento, passei uma boa parte de minhas fériasde julho, 
>>>corrigindo e orientando um projeto final de curso de graduação, onde as 
>>>horas reais de aulas ministradas não podem ser contadas num relógio de 
>>>ponto nem classificadas por Pareceres ou Resoluções dos Colegiados Superiores.
>>>
>>>13 - Estou convencido de que muitos de Vocês fazem o mesmo por um 
>>>sentimento de dignidade ou solidariedade que pode ser descrito como amor 
>>>à arte. Felizmente, minhas orientadas estão entendendo o que deve e pode 
>>>ser feito e estão tentando corresponder ao que se espera delas.
>>>
>>>14 - Se não voltarmos ao regime seriado, estaremos fragilizando cada vez 
>>>mais as universidades federais com toda essa dispersão e fragmentação 
>>>reveladas, coroando-as com discussões inúteis. E isso não é saudosismo 
>>>nem menosprezo à discussão que Vocês realizaram, porque vários cursos de 
>>>graduação brasileiros já fizeram isso com muito sucesso, como o de 
>>>Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Maria. Outros, 
>>>aparentemente, nem saíram do regime seriado. Será que o INEP tem dados a 
>>>esse respeito?
>>>
>>>15 Continua faltando realizar um grande Congresso Interno (Acadêmico) na 
>>>UFRJ para se discutir além do REUNI a nossa concepção de trabalho 
>>>institucional, que integre os indivíduos num coletivo mais homogêneo.
>>>
>>>Abraços.
>>>
>>>Abraham Zakon
>>>
>>>
>>>
>>>
>>>----------
>>>De: forum-prof-bounces at if.ufrj.br [mailto:forum-prof-bounces at if.ufrj.br] 
>>>Em nome de Felipe Coelho
>>>Enviada em: terça-feira, 31 de julho de 2007 13:59
>>>Para: Maria A. Silva; 'Prof. Luiz Eduardo'
>>>Cc: masilva1956 at uol.com.br; forum-prof at listas.if.ufrj.br
>>>Assunto: Re: RES: [forum-prof] Hora-aula: defina
>>>
>>>Oi Maria e demais colegas
>>>O CNE discutiu isso mas, no meu entender, a posição por ele tomada é 
>>>inexequível e por isso tem sido ignorada. Para eles a carga horária 
>>>mínima de X horas num curso quer dizer X horas de 60 minutos. Como as 
>>>horas-aula geralmente tem 50 minutos, um curso que tiver essa carga 
>>>mínima de horas, mas for estruturado em horas-aula de 50 minutos, terá 
>>>que aumentar em 20% sua carga horária para passar de 50 para 60 minutos 
>>>cada aula. No meu entender essa discussão fere a nossa autonomia 
>>>didática frontalmente, é o CNE querendo decidir se damos ou não 
>>>intervalo entre as aulas. Se não dermos intervalo, os alunos aprenderão mais???
>>>Não apenas o CNE decide cargas horárias mínimas absurdamente altas como 
>>>também quer aumentá-las em 20% com a argumentação ridícula de que a hora 
>>>tem 60 minutos e por isso a hora-aula tem 60 minutos. Abaixo seguem os 
>>>dois pareceres da da Câmara de Ensino Superior do CNE.
>>>Abraços
>>>http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/pces261_06.pdf
>>>http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/pces008_07.pdf
>>>
>>>!DSPAM:1071,46af761815007224784171!
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>>>17:02
>
>_______________________________________________
>forum-prof mailing list
>forum-prof at listas.if.ufrj.br
>http://webmail.if.ufrj.br/mailman/listinfo/forum-prof
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