RES: [forum-prof] A necessidade de Planos Diretores por Decanias para2010

Carlos Vainer cvainer at uol.com.br
Sat Aug 22 19:51:05 BRT 2009


Prezado Abraham

 

Vamos avançar neste debate.

 

Para facilitar a aproximação de argumentos e contra-argumentos, resolvi
intercalar meus comentários nos parágrafos de sua mensagem. Assim fica mais
fácil acompanhar o debate.

 

 

Prezado Carlos Vainer.

 

Gostei mais uma vez de suas avaliações, mas creio, desta feita, que algo
continua sendo despercebido: 

 

A discussão de um Plano para daqui a 10 ou 11 anos não atende às demandas
represadas que vem sendo expostas por vários docentes nesta lista de
discussão. Somos, pelo menos, uma amostra do conjunto maior.

 

 

Nunca, em momento algum, pensamos que o Plano Diretor pudesse substituir a
administração corrente do dia-a-dia. Nunca propusemos isso. Nem nunca nenhum
daqueles que estão envolvidos diretamente na elaboração e discussão do PD
UFRJ 2020 achou que o Plano Diretor substitui ou supõe o abandono da
administração de curto prazo. A afirmar a necessidade do Planejamento no
médio e longo prazos, o que propusemos, e o que o Consuni aprovou, é que não
basta administrar no quotidiano. Por que?

1)       Porque muitos de nossos problemas são estruturais e somente podem
ser adequadamente equacionados e superados por políticas de médio e longo
prazo, por uma política, planos, programas e projetos que vão além do
imediato; 

2)       Porque muitas vezes, ao tomarmos decisões tendo como horizonte
apenas as necessidades e as variáveis operando no curto prazo, tomamos
decisões equivocadas, que logo se mostrarão insuficientes, inadequadas;

3)       Porque a ausência de uma perspectiva de longo e médio prazos pode
levar-nos, como muitas vezes tem ocorrido, a investir recursos de maneira
irracional, desperdiçando recursos escassos

 

Não se trata, pois, de esperar do Plano Diretor a solução dos problemas
imediatos. Há que administrar o quotidiano, mas sempre que as decisões de
curto prazo considerarem um plano de médio e longo prazos, maiores as
probabilidades de que as conseqüências destas decisões convirjam para
objetivos gerais, estratégicos. 

 

 

 

Da sua exposição abaixo, identifico-me com o seguinte trecho por demais
significativo e que espelha nossas preocupações:

“Devemos, e podemos, identificar os problemas, e a partir daí começar a
discutir caminhos possíveis para equacioná-los e enfrentá-los. Devemos, e
podemos, hierarquizá-los.” 

Entendo que o Plano Diretor 2020 gerou a presente discussão (com todas as
virtudes, dificuldades, defeitos e vícios já revelados) e é impar, pois não
parece ter ocorrido antes.  

E mesmo que alguns colegas resistam, entendo que a Reitoria e todos os
envolvidos no Plano Diretor 2020 merecem nosso reconhecimento respeitoso. 

E diante da sua outra afirmativa, que também transcrevo – “é importante que
surjam propostas e projetos” – proponho que cada Decania da UFRJ inicie uma
discussão para criar seu “Plano Diretor de Aplicação Imediata”. Isto é: para
2010. 

 

Talvez você não saiba, mas no início de todo este processo, o Comitê Técnico
do Plano Diretor encaminhou a todas as unidades, órgãos suplementares e
instâncias da administração central um formulário onde deveriam indicar sua
realidade atual e suas perspectivas de expansão (de vagas, de atividades, de
necessidades de pessoal docente e técnico-administrativo, de área, de
equipamentos especiais. Todos responderam. Talvez nem todos tenham feito um
plano a partir de uma análise cuidadosa, de uma reflexão sistemática, mas,
de um maneira ou de outra, todos os segmentos da UFRJ engajaram-se em um
processo de planejamento que envolve desde o departamento até a universidade
em seu conjunto.

Não temos, em nossa universidade, a cultura do planejamento de médio e longo
prazos. Ao contrário, predomina entre nós o que chamo de “cultura do
puxadinho”. Toma-se uma decisão aqui, outra ali, vai- se fazendo um
puxadinho ... e, ao final de algum tempo, desperdiçamos recursos escassos em
um monte de pequenas intervenções caóticas, feitas sem uma perspectiva de
conjunto, sem uma visão de longo prazos.

Não é fácil revolucionar a cultura de uma organização tão complexa e diversa
como a UFRJ. Mas é possível. E estamos dando os primeiros passos nessa
direção.

Mas, para levar isso adiante, é necessário entender que, embora
inseparáveis, o curto, o médio e o longo prazos não são a mesma coisa. Eles
representam escalas temporais distintas, no contexto das quais as decisões
devem ser tomadas segundo regras e procedimentos que não são os mesmos.   

 

E que se transformem em um projeto global de orçamento estruturado em
convicções, ao invés do famoso “não adianta pedir, que o governo não vai
atender”.

 

O intuito não é o de diluir, mas de envolver toda a comunidade acadêmica de
forma convergente.

 

O envolvimento da comunidade como um todo está em curso. Afinal, a
manifestação de divergências, críticas, propostas alternativas não é senão
uma das facetas deste “envolvimento”. Afinal, seria um equívoco e um pecado
autoritário acreditar que apenas se envolvem aqueles que concordam, que
aderem. Os que repudiam, criticam também se envolvem, e, por isso mesmo, são
também co-responsáveis pelos da instituição.

 

Prefiro essa opção , QUE SE TERRITORIALIZA, SE CONCRETIZA NUM ESPAÇO
DETERMINADO (menor e mais acessível aos olhares dos não-urbanistas).

 

Da mesma maneira que há que planejar e decidir no longo, médio e curto
prazos, há também diferentes escalas espaciais. Em cada escala os métodos de
planejamento e os procedimentos mais adequados para decidir são
particulares. Não cabe ao chefe de departamento definir como vou arrumar
minhas gavetas e ocupar meu gabinete (desde que esteja efetivamente
consagrando às atividades acadêmicas o espaço que recebi da Universidade.

 

Assim, não existe a boa escala. Todas as escalas são boas, conforme as
questões que estejamos buscando equacionar e planejar. No caso do PD
UFRJ2020, a decisão do Consuni foi o de elaborar e implementar um Plano na
escala do conjunto da Universidade. Será necessário, a seguir, e mesmo desde
já, desdobrar este Plano em outras escalas: a escala do centro, da unidade;
ou ainda, a escala da edificação singular. Nestes casos, quase sempre
estaremos falando de “PROJETO” e não de “PLANO”. 

 

Estas são algumas questões que podem parecer aos leigos como diferenças de
palavras, mas que na esfera dos teóricas e metodologias do planejamento, têm
um significado muito preciso e consequências muito importantes. 

 

Não consigo vislumbrar nas “oficinas temáticas” como encaixar as demandas
que entendo como imprescindíveis para o Centro de Tecnologia, onde atuo há
quase 35 anos, porque seus temas são genéricos e por demais filosóficos. 

Talvez isso se repita para os colegas do CCMN e outras decanias (alguns dos
quais ainda não conheci pessoalmente, mas admiro pela persistência em tentar
contribuir construtivamente para a melhoria da UFRJ e da Educação no
Brasil).

 

 

Definir como caminhar na direção de um campus responsável ambientalmente,
que reduza as emissões de gases efeito estufa, que use de maneira racional e
econômica a energia, que  promova a coleta e disposição adequada dos
resíduos NÃO É UMA QUESTÃO FILOSÓFICA. É uma questão prática, que exige
planejamento pois envolve uma série de decisões coordenadas e concatenadas
no tempo e no espaço.

Definir como assegurar um transporte adequado, no curto, médio e longo
prazos, de modo a atender a demanda crescente,, projetada em 120 mil pessoas
no ano 2020 nào é uma questão filosófica. 

Discutir a melhor maneira de fazer com que os acervos, museus e centros de
documentação existentes (ate agora foram identificdos 28) possam ser
colocados ao acesso da população da cidade, cumprindo uma das funções da
Universidade, ainda mais pública, que é a difusão do conhecimento, em suas
mútliplas manifestações tampouco me parece filosofia.

Discutir como fazer da Cidade Universitária um espaço de inovação e
experimentação, em que os avanços científico-tecnológicos produzidos na UFRJ
seja experimentados e implementados na/pela própria universidade, eis
questão absolutamente relevante que não tem nada de filosófico.

Certamente, também não filosófica a discussão sobre as melhores maneiras de
assegurar uma residência universitária adequada, os modos de projetar a
demanda de restaurantes universitários, as formas de assegurar meios e
equipamentos para difundir as práticas esportivas, etc.

 

Se você for ver os temas tratados nas Oficinas Temáticas, verá que todas
elas trataram ou tratarão, de temas de grande relevância e muito concretos.

 

Se você disser que muitas destas discussões apontam para decisões e
diretrizes que, embora adotadas hoje, somente terão seus efeitos mais
importantes amanhã e depois de amanhã, eu concordo. Mas isso não quer dizer
que sejam filosóficas, quer apenas dizer que são decisões cujos
desdobramentos se projetam num tempo e num espaço que transcendem o
imediato. 

 

 

Saudações universitárias

 

Carlos

 

 

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Prof. Carlos Vainer

IPPUR / UFRJ
Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Av. Pedro Calmon, 550 - Prédio da Reitoria, s. 533
Cidade Universitária 
21941-590   Rio de Janeiro   RJ
Brasil



 

 

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