[forum-prof] Re: Espírito Petiano: olho, olho e não vejo
Luiz Eduardo
lercarvalho at yahoo.com.br
Sun Aug 2 11:27:43 BRT 2009
At 12:46 1/8/2009 -0300, you wrote:
>Eu vou mais longe. Estou desconhecendo a universidade, com toda essa
>massificação e cursos noturnos. Não se reconhece mais o entusiasmo
>por uma profissão, em pensar em coisas de vanguarda. Só a mesmice,
>discursos repetidos em forma de papagaios. Talvez haja esperança
>para 0,00001%. Talvez...
>
>Cristina Barreto
São duas as perguntas, você sabe.
Uma... é se essa percepção expressa o "real".
Proponho assumir, exploratoriamente, que sim.
Então... a segunda pergunta, você também sabe, seria: por que ?
Eu ousaria delinear algumas alternativas de hipóteses:
1. A universidade não dá quase nada para o exercício da profissão.
Não ensinamos como ser "Farmacêuticos".
Ensinamos como ser "alunos e professores de Farmácia".
Se é no estágio, e não na faculdade, que se aprende a advogar...
Então... se vai ser na Residência que o aluno vai "aprender a exercer
a Medicina"...
a graduação em Medicina não passa de um pré-vestibular para o
concurso de residência.
E para ingressar como trainee de uma multinacional, UFRJ não é um
conteúdo, mas apenas uma grife.
E nas profissões onde não há Residência... então... pra que estudar duro ?
Pra esquecer o nome de todos os ossos, de todos os hormônios, de
todos os parasitas... dez minutos depois de cada prova ?
Isso nãoé ensino.
Isso é tortura e tédio.
2. A universidade não ensina quase nada para os concursos públicos
Se o alvo não é exercer a profissão no "mercado"...
mas prestar um concurso público...
então as disciplinas acadêmicas só "prestam" se estiverem associadas
com o programa dos tais malditos concursos.
E não estão.
Pro concurso público, tem que fazer cursinho específico, estudar tudo de novo.
Pra ser diplomata, pra entrar pro Rio Branco, tem que estudar tudo "por fora".
Então... o diploma acadêmico é apenas um produto cartorial.
Tem que ter diploma... do mesmo jeito que tem de ter título de eleitor.
Assistir aula... é como ficar de pé numa fila... esperando a vez.
Ai... que tédio...
Ou será que se escreve "tédil" ?
3. O saber, a competência, já não têm mérito. Aliás, o "mérito" hoje
é uma obscena violencia.
Estudar é... construir um "mérito".
De um lado... criticam e combatem esse "elitismo" de ter mérito. Ter
mérito não é mérito nenhum. Muito pelo contrário.
De outro lado, de cima pra baixo, a "razão" não é mais instrumento de
entendimento e negociação.
O "cara" cada dia tem uma explicação diferente para um mesmo fenômeno
(sempre a mais confortável e conveniente, embora obscena, amoral e absurda).
Nesse contexto... que valor tem o "saber" ?
Não vai ser sendo inteligente... que alguem vai ter sucesso e dinheiro...
carros e mulheres.
A universidade, estar na universidade, precisa ser um momento de
"extrema felicidade".
Não de desconforto e tédio.
Precisamos estar na universidade...
com o mesmo sentimento daqueles imbecis tomando chuva pra mal ver
Roberto Carlos no Maracanã.
Graças a Deus... em cada aula que dou... ainda consigo identificar
uns 4 ou 5 que realmente se sentem bem ali...
(mas não duvido que preferissem estar em casa... me vendo e lendo
pela internet).
Não sei que soluções são enxergadas aí na UFRN.
Aqui na UFRJ... a grande solução é construir um monte de prédios novos...
apartamentos de 2 e 4 quartos dentro do campus...
ciclovias do lado de fora das salas de aula...
e ampliar o bandejão para 8,5 mil comensais por dia.
Só vai ficar faltando o bacalhau.
Quem vai querer bacalhau ?
L.E.
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