[forum-prof] Texto para o Ibmec versao preliminar
jribas at rdc.puc-rio.br
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Tue Aug 28 20:54:28 BRT 2007
>Estimado Felipe Envio o texto já formatado. Quero ir ao Fundão depois
para conversar com vc. Vc tem razão. Há uma pequena no tunel da nossa
fac.de Direito, terminamos o projeto para criar o mestrado um abraço
ribas
Prezado Ribas e demais colegas
>
> Li o teu texto, está interessante, mas acho que os problemas vem de bem
> longe. Infelizmente a Independência do Brasil levou à adoção de um modelo
> universitário que desprivilegiou as ciências e as tecnologias, ao
> contrário
> do modelo da universidade de Coimbra que o Marquês de Pombal reformara.
> José Bonifácio, fruto dessa universidade reformada, era geólogo e autor de
> trabalhos científicos! Esse modelo "brasileiro" privilegiava dar uma
> tintura jurídica aos filhos das elites. Paralelo a ele havia um modelo
> político e outro jurídico que valorizavam em muito a posse de um diploma
> de
> Direito. A demanda social por estudar Direito foi assim imensa desde 1822,
> criamos a "universidade dos bacharéis". Esse modelo claramente não
> beneficiou nem ao menos o ensino e a pesquisa do Direito, mas levou às
> fábricas de diplomas.
>
> Um livro interessante sobre a universidade hispano-americana conta
> exatamente a mesma história: "As universidades no desenvolvimento social
> da
> América Latina", de Hanns-Albert Steger, Tempo Brasileiro, 1970. Enquanto
> as universidades hispânicas pre-independência, em geral administradas por
> ordens religiosas, enfatizavam formar bons cristãos, essas universidades
> pós-independência eram "universidades de advogados", que almejavam formar
> quadros para as administrações públicas desses países.O autor (um alemão
> especialista em educação latino-americana) diz que o grande teórico
> hispano-americano dessa transição de modelo universitário foi o
> venezuelano
> Andres Bello, reitor durante 20 anos da Universidade do Chile, em meados
> do
> século XIX . Ele foi também o autor de um Código Civil inspirado no Código
> Napolão que ainda influencia o direito nesses países.
>
> Tenho um artigo de 1959, da revista Brasiliense, onde os sociólogos
> Fernando Henrique Cardoso e Octavio Ianni apontavam exatamente para isto,
> formarmos muitos advogados e poucos engenheiros. Em 1957 por exemplo
> tínhamos 79505 estudantes no ensino superior: 27,30 % dos estudantes
> estavam em Direito, 18, 45% nas faculdades de filosofia, ciências e letras
> (que essencialmente formavam professores), 13,10% em Medicina, 10,65% em
> Engenharia e 2,80% em Agronomia e Veterinária Não apenas o número total de
> alunos era ridículo como as distorções são gritantes: o percentual em
> Direito (muito superior ao de hoje) e o número ridículo de alunos de
> Engenharia, Agronomia e Veterinária.
>
> O triste é que enquanto essa "universidad de abogados" hispano-americana
> era um avanço em relação às coloniais, a nossa "universidade de bacharéis"
> era um retrocesso em relação à Coimbra revolucionada pelo Pombal, onde se
> tirou Aristóteles e colocou-se a pesquisa científica...
>
> Abraços e se alguém quiser copiar o livro ou o artigo é só passar na minha
> sala (310, bloco A, CT).
>
>
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