RES: [forum-prof] O Anísio Teixeira já previra quase tudo em 1968...

Maria A. Silva maria.a.dasilva at terra.com.br
Tue Aug 28 21:05:45 BRT 2007


 
Oi, Felipe.
Esses questionamentos são bem anteriores e surgiram, como eu disse, nos EUA.
Abaixo trascrevo só alguns parágrafos do primeiro livro que pretendo
comentar no Observatório da Universidade.
Dão uma visão parcial, mas abrem alguns pontos para discussão, até porque os
projetos recentemente apresentados entre nós reproduzem grande parte desde
mesmo discurso que integrou, entre os norte-americanos, o denominado
"national revival".


   "Still other observers see general education as the answer to the decline
in academic performance. Since the mid-1960s, as is well-known, college
admission test scores have dropped. Remedial instruction is offered on a
host of campuses, and general education is being called upon to improve the
performance of students, especially in language and mathematics.
Surprisingly, this push to overcome academic deficiencies is occurring
almost as frequently at highly selective colleges as at open-admission
institutions.
   
   General education is also being called upon to combat the 'new
vocationalism'. Today's students are far more job-oriented than their
counterparts of the 1960s. The porpotion selecting liberal arts majors has
plummered. In contrast, such fields as business and engineering are booming.
The share of undergratuate enrollments in career-oriented subjects has
increased by 50 percent since 1969. Nearly four of every ten undergraduates
(38 pecent) say they would leave college immediately if they could get the
same job now as after graduation. [...]
   
   Additionally, general education is viewed by some as a remedy for
academic overspecialization. Today's undergraduates spend one-third more
time studying in ther majors than they did in the later 1960s. And two out
of every five juniors and seniors say they would spend even more time in
their major if other requirements were reduced! This swing away from general
requirements to specialized study gained great momentum in thje late 1960s
and early 1970s. Many in higher education believe it is now time for the
pendulum to swing back.
   
   Some college presidents and deans see general education as a solution to
the problems of campus management. General education, the argue, may make
the difference between survival and collapse. Institutional costs can be
reduced, so the reasoning goes, by replacing proliferating departmental
courses with a core curriculum taught by a smaller, leaner faculty. Even at
schools where the budgetary crunch  is less acute, tenured faculty, because
of declining enrollments, will have smaller classes, and required general
education courses are seen by some administrators as na easy remedy. Those
who see faculty members as too specialized, and too remote from
undergraduates, would improve the situation by reinvigorating general
education." (Ernst L. Boyer & Arthur Levine, A Quest For Commom Learning:
The Aims Of General Education, 7th printing, Princeton: Princeton University
Press, 1989)


Esse é apenas o primeiro, de uma série, que pretendo comentar.
O modelo dos bacharelados interdisciplinares que nos propõe parece um
amontoado, bastante confuso, de todas essas propostas, surgidas há quase 40
anos.
A diferença é que, lá fora, a discussão não terminou.
Continua sendo, na palavra dos autores citados, "a chronic struggle".
Críticas ao corporativismo acadêmico, à precocidade vocacional, com a
proposta de dissolução de departamentos, tudo isso acompanhou essa mudança
nos EUA e depois na Europa.
Nesse aspecto, nenhuma proposta daqui é original.

Abraço,
Maria Aparecida 
   


-----Mensagem original-----
De: forum-prof-bounces at if.ufrj.br [mailto:forum-prof-bounces at if.ufrj.br] Em
nome de Felipe Coelho
Enviada em: terça-feira, 28 de agosto de 2007 20:18
Para: "Jari Nóbrega Cardoso"; forum-prof at listas.if.ufrj.br;
adjuntos-ccmn at listas.if.ufrj.br
Assunto: [forum-prof] O Anísio Teixeira já previra quase tudo em 1968...

Prezado Jari

Tomara que sim! O problema é que esses questionamentos levem a mudanças.

Um artigo do Anísio Teixeira de 1968 já tinha quase todos os questionamentos
que ouvimos hoje. Ele menciona a falta de flexibilidade, o excesso de aulas
expositivas, a regulamentação cartorial das profissões e a prática
pedagógica. Verifica o predomínio do setor privado em alguns cursos, que diz
serem direcionados para atividades de serviço  (Direito,  Economia,
Contabilidade e os cursos das FFCL) enquanto o setor privado dominava em
outros, que diz serem voltados para a produção (Engenharia, Agronomia,
Arquitetura, Farmácia, Medicina e Odontologia). A taxonomia dele (produção e
serviços) tem rótulos economicistas, mas o fenômeno é real. O melhor seria
dizer os cursos com e sem atividades práticas, pois estas os encarecem e os
tornam pouco lucrativos para a iniciativa privada. Esse fenomeno já
acontecia em 1966 e então quase metade dos estudantes já estudava em IES
privadas (82 dos 180 mil alunos, quase todos nos cursos só de quadro-negro).

O Anísio inclusive critica a confusa estrutura da UFRJ implementada em 1967
e seu equívoco fundamental de achar a pesquisa pouco importante. Enfim,
estamos com uma reforma universitária incompleta desde 1968.

Abraços
PS: Para quem quiser saber, o artigo é da Revista Brasileira de Estudos
Pedagógicos, v. 50,n.111, p. 21-82. Quem desejar cópia, como as bibliotas
estão fechadas, é só me procurar no IF. O artigo é excelente.





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