[forum-prof] Casas Bahia de ensino

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Wed Aug 1 09:10:08 BRT 2007


Como as universidades públicas poderão combater as casas bahia de ensino?
Ribas




flavia excelente divulgar essa Casa Bahia de ensino. Creio que essa casa
bahia já tem controle acionário estrangeiro ribas




  Da última Exame (24.07.2007)   Att   Flávia C. Limmer  Educação para as
> massas Vender educação é como vender sanduíches? Para a rede de
> faculdades Anhanguera, sim  Por Silvana Mautone
> Não há charme em nenhuma das salas de aula da Anhanguera Educacional, rede
> de ensino superior com 20 unidades espalhadas pelos estados de São Paulo e
> Goiás. As paredes geralmente são de blocos aparentes e pintadas de branco.
> O chão, de cimento. Na maioria dos casos, as escolas estão instaladas em
> prédios que até pouco tempo atrás eram ocupados por galpões de fábricas. A
> esmagadora maioria de sua clientela é formada por alunos de classe média e
> média baixa que trabalham durante o dia e não podem contar com a ajuda da
> família para pagar os estudos. Por isso, mais de 80% dos cursos são
> noturnos. As mensalidades giram em torno dos 400 reais, até 50% mais
> baratas que as das principais concorrentes. Não há charme mesmo na
> Anhanguera, e ele, de fato, não deve existir. Salas bonitas e
> superequipadas, recursos de última geração e laboratórios ultramodernos
> iriam contra o modelo de  negócios da empresa. A Anhanguera nasceu para
> ser uma espécie de Casas Bahia da educação.
> Com esse modelo de negócios voltado exclusivamente para a base da
> pirâmide, a Anhanguera, fundada há apenas 13 anos, vem crescendo a um
> ritmo espantoso. Nos últimos três anos, seu faturamento praticamente
> triplicou, passando de 52 milhões para 143 milhões de reais. Seis campi
> foram inaugurados e cinco faculdades compradas nos últimos 18 meses. Com
> isso, o número de alunos mais que dobrou -- passando de 22 000 para 48
> 000. Hoje, a rede tem uma lista de 80 municípios em diversos estados com
> potencial para abrigar suas escolas. Para dar fôlego financeiro à
> expansão, em março a Anhanguera fez sua estréia na Bovespa, tornando-se a
> primeira empresa de capital aberto do país no segmento de educação. Agora,
> outras instituições de ensino, como a rede Pitágoras, de Minas Gerais, e a
> Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, estão prestes a adotar a mesma
> estratégia.
> O crescimento da Anhanguera chama a atenção sobretudo porque o setor de
> educação está longe de viver um período de euforia. Com o aumento do
> número de escolas de ensino superior -- entre 2000 e 2007 a quantidade de
> instituições no país dobrou --, hoje sobram vagas nas salas de aula. A
> ociosidade no setor privado é estimada em 50% -- e a maioria das escolas
> opera no vermelho. "Só quem tem escala e gestão profissional vai
> sobreviver", afirma Ryon Braga, da consultoria Hoper, especializada no
> setor educacional. E escala e gestão são itens cruciais no modelo de
> negócios da Anhanguera. "A chance de crescimento está nas camadas
> populares, que apostam em um diploma de nível superior para melhorar de
> vida", diz Ricardo Scavazza, diretor de relações com investidores da
> Anhanguera e sócio da Pátria Investimentos, gestora de recursos que, por
> meio de um de seus fundos, associou-se à rede em 2003 e, logo depois,
> assumiu seu controle.
> Para oferecer mensalidades a preços acessíveis e manter a lucratividade, a
> empresa teve de passar por uma grande reestruturação interna. Em 2005,
> seus executivos centralizaram na sede, em Valinhos, no interior de São
> Paulo, áreas como recursos humanos, suprimentos, marketing e tecnologia --
> até então, cada campus tinha os próprios departamentos. Também contrataram
> para cargos de direção profissionais que passaram por grandes empresas de
> varejo e serviços, como Ambev, Sé Supermercados e a rede de hotéis Blue
> Tree. Políticas de recursos humanos comuns em grandes empresas no setor
> privado, mas ainda raras em escolas, começaram a ser adotadas. Hoje, os
> diretores e coordenadores de curso da Anhanguera participam de um programa
> de remuneração variável. A partir de 2008, esse plano deve ser estendido a
> todos os funcionários, inclusive professores. Para simplificar a
> administração, os cursos são padronizados e o conteúdo das aulas segue o
> mesmo cronograma em todas as unidades. Com as mudanças implementadas, as
> despesas, que corroíam 20% do faturamento há dois anos, hoje representam
> 13% da receita. "Com a expansão da rede e o ganho de escala, esperamos
> ficar abaixo de 10%", diz Scavazza. No mesmo período, a margem de lucro
> dobrou, alcançando 29%. Desde que a Anhanguera abriu o capital, suas ações
> valorizaram quase 70%, enquanto a alta do Ibovespa ficou em torno de 30%
> no mesmo período.
> PARTE DA FORMULA ADOTADA pela rede foi inspirada no varejo tradicional. Um
> dos exemplos mais notáveis dessa inspiração é o processo de definição da
> localização dos campi. A Anhanguera contrata empresas especializadas em
> mapear a população de determinada região levando em conta dados como nível
> de renda, faixa etária e escolaridade -- uma metodologia adotada por
> companhias como
> Carrefour, Wal-Mart e McDonald's. Só depois dessas análises demográficas
> detalhadas, que costumam resultar em calhamaços de mais de 100 páginas, a
> rede decide em qual bairro abrirá uma nova uni  dade. Em São Paulo, por
> exemplo, onde a Anhanguera começou a operar neste ano, já foram
> identificados dez pontos viáveis para a instalação de novas escolas. Todos
> eles estão localizados na periferia -- para a população de baixa renda, é
> importante que as faculdades fiquem perto do  trabalho ou de casa, de modo
> que ela possa economizar o dinheiro do transporte. Economias como essa são
> fundamentais para que os alunos mantenham a capacidade de pagar as
> mensalidades. Há dois anos, a Anhanguera passou a fazer parcerias com
> editoras a fim de reduzir o custo dos livros usados em seus cursos.
> Atualmente mantém acordos com seis delas -- o que garante aos estudantes
> um desconto de até 80% em relação aos preços cobrados nas livrarias. "Ao
> todo, já compramos mais de 90 000 exemplares. É o volume que nos permite
> conseguir preços tão baixos", diz Antonio Carbonari Netto, presidente e
> fundador da rede Anhanguera. Antes de tornar-se empresário da educação,
> Carbonari, hoje com 56 anos, trabalhou em cursinhos pré-vestibulares e deu
> aula em uma pequena faculdade em Itatiba, em São Paulo, da qual também foi
> reitor. No início da década de 90, o então prefeito da cidade de Leme,
> também  no interior paulista, convidou-o a abrir uma faculdade local. Foi
> o início da Anhanguera.
> Apesar da expansão recente, consultores avaliam que nos próximos anos a
> empresa deverá sentir o peso da concorrência. Segundo um levantamento da
> consultoria Hoper, existem hoje 17 grupos com potencial para investir em
> aquisições no setor. Desse total, 15 têm como alvo a baixa renda. Outra
> dúvida é em relação à viabilidade de oferecer ensino de qualidade cobrando
> preços tão baixos -- a meta da Anhanguera é chegar a uma mensalidade média
> inferior a 300 reais. "Nosso objetivo não é concorrer com escolas de
> excelência, como o Ibmec ou a FGV", diz Carbonari. "Queremos apenas dar
> acesso ao ensino superior com qualidade." Para monitorar essa qualidade,
> uma das estratégias da Anhanguera é fazer pesquisas de satisfação
> periódicas com os alunos -- prática adotada desde sua fundação. Duas vezes
> por ano, os estudantes avaliam as instalações físicas dos campi e dão nota
> aos  professores. Se avaliado abaixo da média, o professor terá de fazer
> um curso de capacitação de, no mínimo, 60 horas. Mas, se tiver notas
> baixas por três semestres consecutivos, será dispensado. "É uma forma de
> estabelecer regras para avaliar o trabalho do professor, como de qualquer
> outro profissional", afirma Carbonari.
> Ex-professor de matemática, ele prefere se cercar de gráficos e números
> antes de tomar qualquer decisão. Numa das raras vezes em que abriu mão
> dessa prática, foi malsucedido. Há quatro anos, com a proliferação dos
> cursos de moda nas grandes cidades, Carbonari acabou convencido por um
> grupo de professores a lançar uma graduação na área no campus de Jundiaí,
> no interior de São Paulo. "Foi um fiasco. Não conseguimos o mínimo de
> alunos necessário sequer para montar a primeira turma", diz. Até hoje,
> todo o equipamento que havia sido comprado, inclusive uma passarela para
> desfiles, está guardado em um depósito da cidade. "Tomar decisões sem
> ouvir o mercado, nunca mais", diz ele.
>     Custo baixo e parcerias  A receita da Anhanguera para atrair
> estudantes da classe C  1 - Os valores cobrados pelas mensalidades são
> entre 20% e 50% mais baixos que os das concorrentes.A mensalidade
> média é 400 reais. Cursos caros, como medicina, não são oferecidos
> pela Anhanguera  2 - Os campi ficam em regiões da periferia (próximos
> às casas dos estudantes) ou em pontos de fácil acesso. Empresas de
> pesquisa geográfica, que assessoram lojas de varejo, redes de fast
> food e supermercados, ajudam a definir os locais das novas unidades  3
> - A rede mantém acordos com seis editoras para baratear os gastos com
> material didático. Os alunos conseguem comprar seus livros por preços
> até 80% inferiores aos cobrados em livrarias. Já fechou acordos para
> quase 50 títulos com essa parceria
> Fonte: empresa
>
>
>     Ensino em alta  Desde o IPO, em março, os papéis da Anhanguera
> valorizaram-se 67%  (Valores em reais)  março  18  julho  30(1)  (1)
> Cotação do dia 19 de julho.
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