[forum-prof] evolução urbana do Rio

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Mon Feb 8 00:18:38 BRST 2010


Oi Lilia e colegas

Eu conheço esse site da prefeitura, ele é muito bom, principalmente para o
centro. No entanto quanto a Copacabana tem dois erros estranhos, não mostra
uma pedra que tinha no meio da praia (o Copacabana Palace ficava encostado
nela) e não diz que a praia hoje é artificial, pois a avenida Atlântica foi
muito alargada, ocupando a praia original. Vi agora um site, Arqueologia do Rio
de Janeiro, que tem mais de mil fotos, com alguns comentários em cada uma. A
primeira é http://fotolog.terra.com.br/bfg1:4 . Vale a pena ver, tem centenas
de fotos interessantíssimas, mas gastam-se algumas horas e claro que muitas
fotos são de menor interesse.

Cheguei nele quando procurava referências para a antiga Praia Formosa, hoje
Pedro Alves, que fica no Santo Cristo. Ele tem umas fotos incríveis de
prédios que ainda estão lá. Faz uns dias andei da praça Mauá até a
Rodoviária, atravessando essa região que foi "quase" assassinada por planos
urbanísticos mal feitos. O "quase" assassinada vem de que ela teve melhor
destino que a Cidade Nova, a Praça Onze, o Catumbi e o Estácio, estes dois
últimos demolidos nas últimas décadas. Eu morei no Estácio e ele foi
devastado, inclusive com o desaparecimento de uma rua que o ligava diretamente
à Presidente Vargas (agora é um labirinto fazer isso).

Essa região Santo Cristo-Gamboa-Saúde primeiro foi isolada da cidade ao sul
pela ferrovia e depois pela Presidente Vargas e pela destruição da região
entre as duas. Entre esses dois eventos catastróficos ocorreu que ao norte ela
foi desumanizada pelo enorme aterro do cais do Porto e pela avenida Rodrigues
Alves,
mais recentemente agravados pelo viaduto perimetral.

Para piorar tudo, foi feito terra arrasada ao sul da Presidente Vargas,
aproveitando a construção do tunel Santa Bárbara e do metrô, quando se
destruiu boa parte do Catumbi, da Cidade Nova e do Estácio, e depois se
construiu o Sambódromo rompendo de vez com o tecido urbano. Por incrível que
pareça essa região Santo Cristo-Gamboa-Saúde sobreviveu encapsulada assim,
ao sul e ao norte, e me pareceu bastante segura para andar, embora ao sul tenha
uns morros com favelas. Me pareceu uma versão mais pobre de Santa Teresa, mas
com bem mais prédios históricos.

Coisas similares aconteceram em outras partes da cidade. Há uma continuidade de
projetos urbanísticos que vem do Império e termina no almirante Faria Lima e
no Brizola, enfatizando as vias de transporte e expulsando as pessoas do centro
da cidade. Linhas de trem e avenidas como a Brasil ou a Radial Oeste degradaram
bairros que atravessavam (Bonsucesso e Penha) e separaram uns dos outros, como
Estácio/São Cristovão e São Cristovão/Cajú.  Por falar em continuidade
uma das fotos do site acima fala que para as comemorações do
Sesquicentenário em 1972 havia um projeto de um monotrilho ligando o aeroporto
do Galeão à Barra. Agora algo similar ainda é um sonho.

Abraços, Felipe

PS: Quanto às vitórias do movimento docente, como ele está desnorteado desde
o fim da ditadura, ele não consegue saber o que é uma vitória (o trem de
alegria do Ludwig, o fim do GED, a isonomia, o RJU, o fim do FGTS são
vitórias?). Se não se sabe onde se quer chegar é difícil de saber se
chegamos...

A rejeição de uma parte significativa das lideranças desse movimento a
qualquer mudança (como a expansão de vagas e a  criação de cursos novos,
exceto se ampliarem, numa regra de três, a quantidade de funcionários e
professores) mostra um pânico do novo que é incompreensível, a expansão é
essencial, assim como cursos generalistas sérios, que rompam a prisão das
profissões liberais. Devemos no entanto lutar contra a expansão demagógica,
políticas de ingresso demagógicas ou a reinvenção da roda (a universidade
nova do Naomar).

Por outro lado o quadro não é preto e branco, "movimento docente conservador
lutando contra propostas progressistas do MEC e das reitorias". Por exemplo
vejo que a ADUFRJ conseguiu noticiar de forma razoavelmente isenta essa última
alocação de 500 vagas, o que me surpreendeu agradavelmente, e vejo
incompetências gerenciais no MEC e na reitoria da UFRJ, como nessa falta de
flexibilidade para lidar com o problema banal do ENEM que bagunçou o
calendário acadêmico.


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