[forum-prof] A pequenez incentivada

Abraham Zakon azakon2 at globo.com
Sun Sep 30 16:20:44 BRT 2007


Meus prezados.

 

Não devemos confundir repúdio com veto.

 

A UFRJ merece ações engrandecedoras. 

 

China e Grécia são países que trouxeram contribuições inestimáveis à cultura
da Humanidade.

 

Eu também não tenho interesse pessoal em ir lá. 

 

A UFRJ poderia ser maior se, por exemplo, os presidentes (ou professores de
renome) do Chile, Argentina e Bolívia fossem convidados a participar num
evento acadêmico.

 

Não dá para comparar com a questão Irã X EUA, inclusive porque o convidado
pela Universidade Colúmbia foi o Presidente do Irã, que é o personagem
principal de um conflito que se afigura mundial. Ele acostumou-se a dizer o
que pensa e ouviu algo em sentido contrário. Não sei se seus conterrâneos
assistiram ao vivo a transmissão dos debates.

 

Nossos estudantes merecem coisa melhor. 

 

Ou... quais seriam as razões convincentes?

 

AZ

 

 

 

  _____  

De: forum-prof-bounces at if.ufrj.br [mailto:forum-prof-bounces at if.ufrj.br] Em
nome de Fernando Santoro
Enviada em: domingo, 30 de setembro de 2007 15:31
Para: uniaberta at listas.if.ufrj.br; forum-prof at listas.if.ufrj.br;
uniaberta at if.ufrj.br
Assunto: [forum-prof] num planeta distante, aDecania de um centro
organiza...

 

Querido Felipe,

justamente o que eu acho perigoso é, institucionalmente, começarmos a
priorizar quem convidamos e, principalmente, escolher quem vetamos por
critérios políticos (seja pela derivada democrática - adorei este conceito
de matemática aplicado à política! - seja por qualquer outro critério
político - necessariamente controverso).

Entendo que a escolha de quem se convida dependa dos interesses particulares
do professor que convida, e isto inclui tanto a área de estudo quanto o viés
político, claro, que cada indivíduo sempre tem. Mas a universidade como
instituição não pode dizer que prefere ou que veta esse ou aquele país, esse
ou aquele partido, essa ou aquela ideologia.

Como disse na minha primeira mensagem, não há uma exclusividade da UFRJ com
relação à Venezuela, visto o histórico com a Grécia e a China, no Fórum, com
apoio dos consulados. E ninguém se levantou para condenar essas iniciativas
(felizmente!). É claro que quem convida tem seus interesses, e eles são
movidos por valores não só acadêmicos, mas também políticos e da hora, mas a
nossa Universidade não deve ser movida por estes - nem a favor nem contra.

Entendo que a universidade pública deve ser movida pela diversidade dos seus
integrantes. Se o Prof. Zakon quer convidar o Sarkozy, que convide! E que
ele seja recebido com as honras e pompas dignas do seu cargo. Eu mantenho
ótimas relações institucionais com o consulado francês por conta da minha
área de estudo, e nunca perguntei se o presidente era do PS ou do PR (ainda
que eu tenha uma claríssima e óbvia preferência pessoal).

Que o CCJE discuta uma reforma constitucional recente, me parece muito
ajustado aos seus interesses acadêmicos. Se os convidados vierem fazer
proselitismo, isto é outro problema - que se resolve no debate da
conferência e não no veto ou condenação à mesma.

Ah, também acho que o reitor de Columbia não foi tão respeitoso assim na sua
fala - mas foi na fala! Dentro do espaço aberto para o debate. Enquanto
reitor, porém, ele foi respeitoso à democracia, porque convidou alguém que
pensa de maneira oposta à sua, e o ouviu.

Eu não tenho interesse pessoal em assistir àquela conferência, mas acho
importantíssimo e oportuno que os estudantes de direito tenham a
possibilidade de ouvir os bolivarianos contarem como fizeram sua reforma
constitucional e apresentarem os valores ético-políticos que os nortearam.
Há riscos de sedução ideológica? Ora, são estudantes e professores
universitários, adultos maduros e livres para adotarem os valores e
ideologias que preferirem. Tanto mais se as razões forem convincentes.

Grande abraço,

Fernando

----- Original Message ----- 

From: coelho at if.ufrj.br 

To: forum-prof at listas.if.ufrj.br 

Sent: Sunday, September 30, 2007 12:28 PM

Subject: Re: [forum-prof] Re: Re:[Uniaberta] num planeta distante, aDecania
de um centro organiza...

 

Prezados Santoro, Maria, Marcio e demais colegas

É super importante a UFRJ entrar na área de Relações Internacionais, mas sem
ser a reboque de governos estrangeiros ou de partidos brasileiros, mantendo
a
qualidade acadêmica. Essa é uma área onde é difícil manter o rigor
acadêmico, mas cada vez mais importante.

Meu desconforto é saber primeiro os critérios para a escolha da Venezuela e
não qualquer outro país. O segundo é a escolha dos participantes.

A) a escolha do país e da região do mundo

Na nossa política exterior temos tido, durante nossa vida como país
independente, relações intensas com muitos países, contínuas ou
intermitentes.
Entre estes países: a ex-metrópole Portugal; os países platinos Uruguai,
Paraguai e Argentina; as potências hegemônicas dos séculos XIX e XX (Reino
Unido e EUA); a Rússia, que é potência econômica e militar; a Bolívia, com
quem tivemos uma curta guerra; a França, que influenciou nossa cultura; os
países que nos mandaram imigrantes (Alemanha, Itália, Japão e Líbano), até
antes de existirem como países; e Israel que é considerada como segunda
pátria pelos imigrantes judeus da Europa Oriental que recebemos.

Recentemente, com a independência das colônias africanas de Portugal,
passamos
a interagir muito com Angola e um pouco menos com Moçambique, Timor, Cabo
Verde
e Guiné-Bissau. Na UFRJ temos muitos alunos desses países. E agora, com a
explosão de desenvolvimento chinesa, a China se tornou nosso maior parceiro
comercial. Além disso temos agora uma negociação de maior liberdade de
comércio com a União Européia, que está paralisada e é vital para o
Brasil!

A essa lista com menos de 20 países se acrescentariam com facilidade outros
da
África Ocidental, da América ou da Europa com os quais temos afinidades
culturais e étnicas em graus diversos, com quem comerciamos muito ou que nos
mandaram imigrantes. Esta lista precisaria conter o México, a Espanha, a
Nigéria, a Índia, a África do Sul, a Polônia e a Ucrânia.

Há um grupo de países com quem temos fronteira mas com quem temos
historicamente poucas relações - Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana e
Suriname - e há a Guiana Francesa, que é parte da França e da União
Européia. Finalmente há dois países na América do Sul com quem hoje não
temos fronteira, o Chile e o Equador (antes de 1941, quando o Peru anexou
metade uma zona disputada com o Equador, tímhamos fronteira com o Equador).

A escolha da Venezuela - um país muito secundário na nossa política externa
-
não é neutra pois seu presidente, que age como um ditador, quer assumir o
manto de Simon Bolivar. Bolivar foi também um ditador e a sua tentativa de
unificar militarmente 5 países (Venezuela, Colômbia, Peru, Equador e
Bolívia) levou ao fracasso total de qualquer tentativa posterior de fusão.
De
certa forma Bolívar foi o maior inimigo que a integração hispano-americana
já teve, como Napoleão e Hitler o foram da integração européia. Que a
atitude de Bolivar não era a única possível é evidente pelo
espanhol-argentino general San Martin: o exército deste expulsou os
espanhóis
do Chile e ajudou a expulsá-los do Peru mas não unificou  nem o Chile nem o
Peru à Argentina.

A Venezuela está há décadas numa crise de projeto nacional e todas as
receitas petrolíferas reverteram pouco para o desenvolvimento do país. É a
consciência disso que levou ao colapso seus partidos tradicionais e que
levou
a esse pseudo Bolivar, mas sem a cultura deste. O Chavez age como um ditador
rasgando leis mas ainda dentro de uma aparência democrática, como o Peron, e
quer ser presidente perpétuo. Nós vivemos isso no Brasil na ditadura militar
que no papel nunca existiu... Tínhamos presidentes e governadores eleitos de
4
em 4 anos, congressos, assembléias e câmaras de vereadores eleitos,
constituição e judicário. Na prática tudo era uma farsa, mas no papel
existia tudo bonitinho.

Só entenderia assim que a UFRJ convidasse o governo da Venezuela se houvesse
um
planejamento de chamar representantes oficiais de todos esses 30 ou mais
países
(inclusive o Haiti, onde temos vergonhosamente tropas, com o Lula repetindo
o
general Humberto Castelo Branco 40 anos depois, na outra metade da ilha de
Hispaniola).

B) As pessoas escolhidas

Estas pessoas foram escolhidas pela embaixada da Venezuela para fazer 
propaganda
do governo, o que é legítimo, como é legítimo financiar uma escola de samba.
Elas estão sendo mostradas para fazer de conta que há uma diversidade de
opiniões dentro do movimento bolivariano. A UFRJ e o CCJE não podem no
entanto assinar embaixo disso. Essas pessoas não representam a diversidade
de
opinião dentro das diversas esferas da vida venezuelana e o governo da
Venezuela as escolheu exatamente por isso. Uma busca rápida no Google com o
nome delas mostra que uma é chavista histórica e amiga pessoal do Chaves
desde 1994 (abaixo vai o trecho de uma página oficial da Venezuela) e a
outra
é comunista e apoia o chavismo. Elas são incapazes de explicar a situação
atual, mesmo que desejem.

O fato da vinda dessas representantes ser divulgada com destaque na página
do
PCB mostra o caráter partidário do evento da UFRJ e o perigo que o CCJE tem
de arrastar a UFRJ para atitudes político-partidárias que lhe são proibidas.

C) O presidente do Iran na universidade de Colúmbia

Finalmente, Fernando, o Iran é outra coisa! O presidente do Iran foi eleito
numa eleição muito disputada, num país onde as instituições formais da
democracia estão cada vez mais fortes, desde a longa ditadura do Xá que foi
seguida pela ditadura do Khomeini. Ele foi eleito com uma plataforma
anti-corrupção e anti-americana. O mandato dele é mais legítimo do que o
primeiro do Bush. Mesmo assim ouviu críticas duríssimas do reitor de
Colúmbia, que não foi respeitoso não!

Naquela região apenas o Irã, Israel, o Líbano e a Turquia fazem eleições
mas em todos há restrições muito pouco democráticas na sua vida política.
Considerando que os outros países dessa região (Egito, Jordânia, Arábia
Saudita, Paquistão, os emirados do Golfo Pérsico, Líbia, Sudão e Síria)
são ditaduras declaradas, onde reis e ditadores mandam, lá uma "democracia
relativa" já é alguma coisa. (O Iraque hoje é um não país, invadido pelos
americanos e seus aliados, com um governo ditatorial e com inúmeras
rebeliões
e mini-guerras civis. O Afeganistão é parecido.)

Na linguagem da Física eu diria que a derivada da democracia e dos direitos
humanos é positiva no Irã (apesar do que os EUA dizem), crescente na Turquia
(os militares deixaram um partido religioso eleito assumir o governo),
crescente no mundo em geral (desde que os EUA deixaram de apoiar as
ditaduras
terceiro-mundistas e os partidos corruptos no primeiro-mundo, como o PDC
italiano e o PLD japonês), mas decrescente na Venezuela e no Iraque.

A China, a Birmânia, Cuba, Coréia do Norte, a maioria dos países do Oriente
Médio,  Zimbabue e outros países africanos continuam ditaduras, a Rússia e
diversos países ex-soviéticos são "democra-duras", mas a "derivada da
democracia é positiva" no mundo (ou seja, "a democracia é crescente").

Abraços, Felipe Coelho
-----------
Diálogo na página do Ministério de Relações Exteriores da Venezuela entre
Maria Keipo e Chavez, é parte de um texto bem maior:
(...)
Presidente Chávez: Bueno, hermano, a la batalla y a la victoria.
¡Bienvenido!
Toma asiento, por favor. Ahí está el General Alberto José Gutiérrez,
acompañado además por un grupo de personas, compatriotas, amigos,
dirigentes,
ahí está la profesora y amiga María Keipo, ¿cómo estás María?
Coordinadora del Movimiento V República del Estado Zulia. ¿Cómo estás
María, cómo te va?

María Keipo: Muy bien, un saludo afectivo y revolucionario...

Presidente Chávez: Igual.

María Keipo: ...a nombre del pueblo del Zulia, por supuesto ¿no?

Presidente Chávez: Bienvenida profesora, luchadora social desde hace
muchísimos años, y amiga desde allá desde 1994-95, cuando comenzó toda esta
etapa. Está también con nosotros Bernardo Borges, coordinador de los
Círculos
Bolivarianos del Zulia. Bernardo ¿cómo estás tú?

(...)
-----------------
Quoting Fernando Santoro <fsantoro at matrix.com.br>:

> Márcio,
> eu não conheço as pessoas a quem você endereça os comentários abaixo; 
> de qualquer modo, eles são desrespeitosos não apenas para com eles, 
> mas para com toda a UFRJ, que você cita.
> A notícia do convite é procedente para um centro de ciências jurídicas.
> Trata-se de debate sobre uma reforma constitucional recente.
> Salvo imprensa marrom, por mais que se discorde da figura pessoal e 
> da política de Chavez; ele não é um ditador de opereta, mas um 
> presidente legítimo e democraticamente eleito segundo as leis do seu país.
> A UFRJ deve proceder com deferência para qualquer intelectual de 
> qualquer país que nos dê a honra de expor suas idéias. Há pouco, 
> houve eventos sobre a China e sobre a Grécia, no Fórum, apoiados 
> pelos respectivos consulados. A Filosofia já recebeu professores e 
> representantes de instituições públicas da França, Bélgica, 
> Argentina, Uruguai, Itália, Holanda, Portugal, México, Venezuela, 
> EUA, Alemanha etc. etc. Eu me sentiria ofendido por tabela se 
> ofendessem os meus convidados por pertencerem a tal ou qual país, por 
> serem deputados de tal ou qual assembléia.
> Em nenhum aspecto a notícia do convite mostrou viés partidário.
> Cada um que convide quem desejar e considerar relevante para sua área 
> de estudos - assiste quem estiver disposto e interessado.
> Nesta semana o reitor da U. de Columbia convidou o presidente do Iran 
> para uma palestra, e criticou-o abertamente na própria conferência - 
> mas não o desrespeitou, nem ao seu país.
> Assim acredito que devem se comportar as instituições livres, de 
> ensino, pesquisa e produção intelectual : abertas à diversidade de 
> idéias e ao uso respeitoso da palavra.
> Cordialmente,
> Fernando Santoro
>  ----- Original Message -----

>  From: marccosta
>>  Sent: Friday, September 28, 2007 5:46 PM
>  Subject: Re:[Uniaberta] num planeta distante, a Decania de um centro 
> organiza...
>
>
>  Endosso totalmente, Felipe. Tenho vergonha de pertencer a uma 
> instituição que já recebeu o ditador de opereta com honrarias 
> institucionais e agora, pelo jeito, repete a dose. O Sr Chaves 
> recentemente comprou o enredo de uma escola de samba. Será que tá 
> rolando algum pra UFRJ?
>  Abs,
>  Marcio da Costa
------------------
a) meu mail
  Data: Fri, 28 Sep 2007 14:45:23 -0300
>
Assunto: [Uniaberta] num planeta distante, a Decania de um centro
organiza...
>
>  > Prezados colegas
>  > Os membros dos colegiados superiores receberam o aviso abaixo, vindo do
>  > decano do CCJE.
>  > -------------
>  > Dia 4/10
>  >
>  > Encontros acadêmicos
>  >
>  > Palestra: Reforma Constitucional, conjuntura política da Venezuela e
>  > atualidades.
>  > 10h às 13h -Salão Moniz de Aragão
>  >
>  > Palestrantes: Maria de Keipo e Rosário Pacheco - Deputadas da
Assembléia
>  > Nacional da República Bolivariana da Venezuela
>  > Após a palestra, haverá debate
>  >
>  > Mais informações: 2554 6134 ou 2554 5955
>  > Realização: Consulado Geral da Venezuela
>  >
>  > Organização: Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas e Fórum de
Ciência e
>  > Cultura/UFRJ
>  > Entrada franca
>  > ====

Se o CCJE fizer isso para todos os países, trazendo políticos,  intelectuais
e
diplomatas, de todas as tendências, será bem interessante. Mas se for apenas
turismo ideológico para alguns países e algumas tendências (uma das
deputadas é chavista de direita e a outra chavista de esquerda)  sou contra.

Essa mesma palestra é divulgada com destaque na página do PCB.
http://www.pcb.org.br/. Para um partido político, tudo bem, o antigo PCB foi
frequentemente tolerante com o nacionalismo de direita e com o 
populismo, mas a
UFRJ não pode ser partidária.
Considerando o drama do golpismo direitista do Chaves, isto me deixa 
preocupado
com o futuro curso de Relações Internacionais que a decania do CCJE quer
organizar. Vamos dar força a ditadores que se dizem de esquerda?

Abraços
>

----------------------------------------------------------------
This message was sent using IMP, the Internet Messaging Program.


Para enviar uma mensagem : uniaberta at listas.if.ufrj.br

Para se inscrever, se desinscrever ou administrar a sua conta (ver os
arquivos, bloquear seu e-mail em período de viagens e etc..)use a sua senha
no endereço: 

http://webmail.if.ufrj.br/mailman/listinfo/uniaberta

Para se inscrever ou se desinscrever manualmente enviar email para os
moderadores da lista 
jtmn at if.ufrj.br 
ivanabentes at uol.com.br
tati at im.ufrj.br
Assunto: subscribe ou unsubscribe

___________________________________________
Uniaberta mailing list
Uniaberta at listas.if.ufrj.br
http://webmail.if.ufrj.br/mailman/listinfo/uniaberta



-- 
No virus found in this incoming message.
Checked by AVG Free Edition. 
Version: 7.5.488 / Virus Database: 269.13.33/1037 - Release Date: 29/9/2007
13:32

-------------- next part --------------
An HTML attachment was scrubbed...
URL: <http://listas.if.ufrj.br/pipermail/forum-prof/attachments/20070930/4ac4cd86/attachment.html>


More information about the Forum-Prof mailing list